Brasil negociou imunidade a militares americanos

Durante anos, o governo americano pressionou o Brasil a assinar um acordo que garantia imunidade judicial a cidadãos americanos que estiverem no país, em especial um tipo de “blindagem” contra o alcance do Tribunal Penal Internacional  (TPI).

Documentos revelados pelo WikiLeaks mostram que o governo brasileiro chegou a acenar com um acordo “informal” nesse sentido, mas depois recuou.

Mesmo assim, de fato, o Brasil permite uma “blindagem” legal a crimes cometidos por militares americanos em território nacional.

Soldados americanos não podem ser processados pela justiça brasileira se cometerem crimes dentro de navios ou aviões militares dos EUA, ou se cometerem crimes durante a realização de exercício militares.

Artigo 98

Entre 2003 e 2008, os Estados Unidos empreenderam uma forte campanha para blindar os seus cidadãos da jurisdição do Tribunal Penal Internacional em Haia,  que EUA não reconhecem como legítimo.

Em 2003, o governo de George W Bush aprovou uma lei destinada a proteger seus militares de serem julgados por cortes internacionais. Com base no American Service Members Protection Act, o governo começou a pressionar diversos países a assinarem um acordo chamado Artigo 98, segundo o qual se comprometem a não extraditar cidadãos americanos ao TPI.

A pressão chegou até o Brasil.

“Os Estados Unidos têm responsabilidades globais que criam circunstâncias únicas”, defendeu a atual secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em fevereiro de 2005, quando ainda era senadora. “Por exemplo, somos mais vulneráveis ao mau uso de uma corte criminal internacional por causa do papel internacional que temos e dos ressentimentos que surgem por causa da nossa presença ubíqua em todo o mundo”.

Pra quem não assinar, sanções

Embora a atual administração de Barack Obama seja menos radical na oposição ao Tribunal, o empenho do governo Bush garantiu imunidade a cidadãos americanos em mais de cem países através de acordos do Artigo 98 que continuam em vigor.

Outros países que não cederam sofreram sanções – desde cortes de financiamentos e treinamento às forças armadas até o fim de assistência econômica. Países como Mali, Namíbia, África do Sul, Tanzânia e Quênia, que rejeitaram publicamente o acordo em 2003, perderam milhões de dólares em auxílio para programas de desenvolvimento econômico.

O TPI tem investigado casos importantes no continente africano, incluindo massacres em Uganda, na República Democrática do Congo e no Sudão.

No Brasil, os EUA pressionaram ao acabar com uma subvenção que era dada para militares brasileiros para participar de cursos militares oferecidos pelas Forças Armadas daquele país, conforme um telegrama de março de 2004.

“Antes da imposição das sanções, o Ministério da Defesa brasileiro avisou que ia buscar treinamento militar e troca de oportunidades em outro lugar se o Brasil fosse obrigado a pagar o preço total do treinamento militar. Quase nove meses depois, o Ministério da Defesa realmente mudou grande parte do seu treinamento”.

O telegrama nota que desde 2003 a maior parte do treinamento militar brasileiro no exterior passou a ser realizado na França e no Reino Unido, mas também há exercícios na China, na Índia e na África do Sul. Segundo o telegrama, muitos militares brasileiros disseram querer voltar a se aproximar das forças americanas, mas o governo considerava “inaceitável” o aumento dos preços.

Jeitinho brasileiro

“Vocês precisam pensar fora da caixinha”, teria dito o secretário da Divisão das Nações Unidas do Itamaraty, Achiles Zaluar, ao secetário assistente americano para Assuntos Político-Militares,  Lincoln Bloomfield Jr, em 14 de maio de 2004. Segundo ele, “o Brasil extraditaria (cidadãos americanos) para os EUA antes (de mandar para o) Tribunal Penal Internacional”.

Na mesma conversa, Zaluar teria explicado que o TPI tinha grande apoio no Brasil e que o governo não queria dar a impressão de que a lei internacional não se aplicava a alguns países.

“As coisas seriam diferentes se estivéssemos falando somente sobre oficiais e soldados americanos. Mas uma carta branca para todos os cidadãos americanos poderia ser prejudicial se (essa política) fosse aplicada por todos os países da Corte Penal”.

Zaluar também teria dito que o processo de extradição no Brasil é similar ao da União Européia e que o Brasil poderia oferecer “garantias adicionais” se fosse necessário.

Extradição “inimaginável”

Nos meses seguintes a pressão americana continuou intensa.

Um telegrama de 14 de julho relata um encontro entre o representante político da embaixada em Brasília com o diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, Carlos Duarte.  Ele teria reafirmado que o Brasil apoia fortemente a Corte Penal Internacional, mas isso não impediria  “uma alternativa mutualmente aceitável” ao Artigo 98.

“Repetindo uma posição de longa data do governo brasileiro, Duarte comentou que nem ele nem seus superiores concebiam nenhuma ocasião em que o Brasil submeteria cidadãos americanos em solo brasileiro à jurisdição do Tribunal Penal Internacional”, descreve o diplomata Patrick Duddy, para quem a garantia brasileira parecia “sincera”.

Duarte teria dito ainda que “as preocupações dos EUA que levaram a essa posição são claramente compreendidas pelo governo brasileiro”. E enfatizou a vontade do Brasil de encontrar uma solução – até propôs um novo texto para o acordo.

“Ele sugeriu que o governo americano submetesse outra proposta com um texto modificado que se referisse exclusivamente aos militares e funcionários americanos em vez de a todos os cidadãos”.

As negociações por um acordo que blindasse os americanos chegaram a um final em 2005, segundo os telegramas obtidos pelo WikiLeaks. Em 28 de abril, o  embaixador Antônio Guerreiro se encontrou com o secretário-assistente para Não-Proliferação de Armas, Stephen G. Rademaker. Foi taxativo, deixando clara a mudança de postura do Itamaraty.

O embaixador John Danilovich descreve que “Guerreiro educadamente mas inequivocadamente falou que o Brasil não assinaria um acordo sobre o Artigo 98 com os EUA e vê essa idéia como insolúvel”. Em diversos telegramas seguintes, a embaixada comandada por John Danilovich considera que conseguir o acordo seria muito difícil por conta da oposição do Ministério de Relações Exteriores.

Garantias de facto

Ao mesmo tempo, os EUA buscavam garantias para seus soldados que periodicamente vêm ao Brasil para realizar exercícios militares conjuntos.

“Apesar do governo brasileiro ter dado suas garantias escritas usuais para os militares participando desses exercícios, a embaixada entende que o departamento de Estado queira padronizar as proteções oferecidas”, diz um telegrama de 24 de março de 2005.

“Devemos ressaltar que nas décadas em que os EUA e o Brasil têm colaborado em exercícios militares, o governo brsaileiro sempre respeitou todas as normas e imunidades relativas ao nosso pessoal envolvido nesses exercícios  — e não temos conhecimento de nenhum incidente afetando pessoal dos EUA que o governo brasileiro não tenha resolvido prontamente em nosso benefício”.

O embaixador John Danilovich explica em seguida como deveria ser a proposta de um acordo para proteção dos militares americanos.

Entre as condições estão a isenção de taxas de importação de equipamentos e a permissão para contratação de empresas privadas pelos militares estrangeiros. Danilovich conclui que “o Brasil já concorda com um status administrativo e técnico de facto para o pessoal militar americano que participa de exercícios militares”.

Esse status, conhecido como A&T,  estabelece imunidades a forças militares de jurisdição criminal e civil – desde que a contravenção tenha sido realizada durante o cumprimento do serviço militar.

Itamaraty X Defesa, de novo

A resposta do Itamaraty foi firme. Em 31 de maio de 2005, um telegrama relatou que o Brasil rejeitou o acordo proposto.  O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães teria recomendado que o Brasil não garantisse o status A&T aos militares americanos.

“Oficiais da missão americana acompanharam o progresso do tema com integrantes do Ministério da Defesa, que demonstraram forte apoio em garantir um acordo que facilitaria os exercícios militares”, descreve o telegrama, citando que o então ministro da Defesa José Alencar cogitava enviar uma carta ao chanceler Celso Amorim pedindo a proteção extra aos americanos.

No final, os militares brasileiros saíram derrotados.

No dia 30 de maio, o chefe de relações militares da embaixada foi chamado ao ministério da Defesa pelo Almirante Angelo Davena, secretário de Assuntos Políticos, Estratégicos e Internacionais.

“Davena disse que considerava uma ‘derrota pessoal’ não ter coneguido persuadir o alto escalão dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa a garantir status A&T, e pediu que o chefe de relações militares da embaixada transmitisse sua esperança de que os exercícios continuassem mesmo assim”.

Naquele ano, um exercício aéreo – Patriot Angel – foi cancelado, mas o exercício naval UNITAS aconteceu no dia 17 de outubro, partindo da Base Naval do Rio de Janeiro, com a participação de militares dos Estados Unidos, Espanha, Argentina e Uruguai.

Imunidades

Na prática, embora não tenhak conseguido blindagem contra o Tribunal Penal Internacional, os soldados americanos têm algumas imunidades a crimes cometidos no Brasil.

Os detalhes são revelados em uma nota diplomática enviada pelo Itamaraty em setembro de 2005 e reproduzida em um telegrama da embaixada dos EUA em Brasília de 6 de julho do ano seguinte.

Nela o Ministério de Relações Exteriores lamenta não estar de acordo com os termos exigidos pelos americanos (de garantir status A&T) por avaliar que a concessão de imunidades judiciais iria contra a legislação penal brasileira, além de ferir o princípio de equidade entre os Estados e de isonomia entre brasileiros e estrangeiros.

Mas nota explica com que há, de fato, imunidades para quaisquer militares americanos que passam pelo Brasil em exercício militar. As garantias são as mesmas em “quase meio século”.

O Brasil reconhece o princípio de extraterritorialidade de embarcações e aviões militares, explica o documento. “Nesse sentido, os crimes cometidos dentro desses navios e aviões não estão sujeitos à legislação brasileira. Da mesma forma, crimes cometidos em território brasileiro por pessoal militar estrangeiro, enquanto estiverem cumprindo suas funções, não estão sujeitos à jurisdição brasileira, mas à jurisdição do país ou nacionalidade do perpetrador”.

A nota diplomática do Itamaraty reforça, no entanto, que as cortes brasileiras têm jurisdição sobre crimes cometidos fora do exercício militar determinado. “Neste úlimo caso, as cortes brasileiras agirão independentemente de quaisquer consultas entre os dois governos, baseando-se nos princípios constitucionais que estabelecem a independência de poderes”.

O mesmo telegrama mostra a irritação do Itamaraty em relação ao lobby americano junto a militares brasileiros pela conquista da imunidade judicial.

“Finalmente, o Ministério expressa à embaixada que as comunicações sobre esse assunto, para que sejam consideradas oficiais, devem ser direcionadas ao Itamaraty, a autoridade com responsabilidades apropriadas e o órgão que gerencia privilégios e imunidades a oficias estrangeiros que visitam o país”, diz a nota diplomática.

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18 Respostas para “Brasil negociou imunidade a militares americanos

  1. CARTA ABERTA À IGREJA CALVARY INTERNATIONAL (NORTEAMERICANA) DE SÃO PAULO, DE EDU MONTESANTI

    Igrejas, com raras e honrosas exceções, colocam-se acima do bem e do mal sob aprouve da maioria da sociedade, causando grandes danos à ela mesma. E nada gera tantas feridas em um indivíduo quanto pessoas a quem foram depositadas confiança, com toda a alma, e acabam traindo-o mais tarde das maneiras mais baixas, com excessiva hipocrisia tendo anteriormente usado o nome de Deus com longos e eloquentes discursos de paz, amor, perdão, igualdade e justiça. Apenas quem já provou desse veneno, dimensiona o que tal punhalada no coração e seu desapontamento significam

    A ausência de prestação de contas representa o princípio mais seguro para o corrompimento humano. Dízimos, ofertas, gastos, cargos remunerados ou não, viagens, festas (muitas vezes fechadas para uma meia dúzia do grupinho que melhor se enquadra nas análises sintáticas dos doutores da religião, festas até “secretas” mas com dinheiro da comunidade local e dentro da igreja, que deve prestar contas em um Estado laico, diferentemente de Estado teocrático onde ela estaria acima da lei), ótimos presentes de líderes a outros líderes enfim, tudo isso com dinheiro da comunidade local, e exposição generalizada da vida íntima de muitos que vão buscar ajuda, ocorrido conosco e com tantos outros

    São muitos os casos sem prestação de contas. Mas tudo isso acaba sendo abafado justamente pela hipocrisia por trás de uma falsa religiosidade, bem como pela força social que lhes é imputada (as pessoas, em geral, hesitam em criticá-las abertamente com receio de ser tachadas de hereges, e coisas do tipo), e pela relativa força política que essas casas possuem – elas servem, mesmo que indiretamente em muitos casos, ao poder corrupto estabelecido dentro de cada país (ao contrário do que manda qualquer mínimo senso de cidadania e até a própria Bíblia, essas casas, em geral, acabam produzindo pessoas absolutamente passivas e alienadas ao que acontece a sua volta, prato cheio ao poder político, corrupto e coercitivo)

    Costumamos escrever aos veículos de comunicação, inclusive Carta Aberta ao sítio Mídia sem Máscara (leia-a em Blogando com Edu). Costumamos escrever também aos políticos, e recentemente enviamos Carta Aberta ao Vereador Apolinário (leia-a em O Brasil no Espelho). Pois, contrariando toda a hipocrisia travestida de homens de Deus intocáveis que se escondem detrás de peculiar fraseologia, escrevemos e publicamos, sim, Carta a uma dessas casas religiosas desabafando feridas ainda por cicatrizar-se e, igualmente, informando um pouco do que se passa ali, a fim de que outros não sejam enganados, nem traídos e machucados

    A Carta Aberta, desta vez, vai à Igreja Calvary International de São Paulo, a qual vive uma estrutura de “faz de conta” e enquadra-se bastante bem nos comentários acima, Em Meio ao Self-Service de Religiões no Mundo, Você Escolhe: Teoria ou Paixão (igualmente enviados à ela). E junto desta Carta, enviamos as passagens bíblicas acima com grifos em vermelho NUNCA lidas no meio deles; palavras de Jesus e de seus apóstolos já que tal casa, como a grande maioria delas, justifica-se na falibilidade humana dizendo que o que caracteriza o cristão não é sua conduta, mas o que acredita (enfim, pouca palhaçada é bobagem nessas casas). Pois tais versos colocam terminante ponto final nesse subterfúgio covarde

    Seus líderes foram procurados por nós, inclusive pessoalmente para explicar-se (igualzinho ao que eles, em tese, pedem ou dizem que pedem que façam quando ovelhas desgarradas saem dali indignadas e/ou revoltadas com Deus, mas eles mesmos nunca fazem isso, ou seja, buscar diálogo quando suspeitam que houve algum problema causado por eles, e no final das contas, mesmo quando tudo ficou claro que algum “grande problema” tratava-se de mal-entendido criado por eles mesmos, jamais pedem o devido perdão que tanto pregam. Isso não vale a eles, afinal, são “líderes do Senhor”). Não éramos atendidos nas várias formas que buscávamos explicação, e em uma delas, pessoalmente na casa, pastor curiosamente “sumiu” no pós-culto, algo que nunca havia ocorrido antes

    Enfim, como frisamos mais acima, diálogo e prestação de contas não fazem parte da essência, do sistema deles. E já que o pai dessas casas, em geral, é o mesmo que o pai da mentira, as histórias que as auto-afirmadas vozes oficias de Deus acabam contando depois da tempestade, é uma ambulância (parafraseando Vicente Mateus) que não condiz, em absoluto, com a exata realidade dos fatos. Segundo o artigo 150 da Constituição Federal, Igreja possui imunidade tributária, isto é, está livre de pagar impostos – inclusive IPTU e ICMS nas contas de energia elétrica e telecomunicações -, por ser considerada benéfica à sociedade. Logo, por mais que vivamos em Estado laico (e assim deve ser), assuntos de corrupção (abuso de poder, constrangimento, discriminação, entre outros) envolvendo a Igreja, qualquer que seja ela, são de interesse público

    Regalias à parte, não só perante a Constituição brasileira, à Declaração Universal dos Direitos Humanos e ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos de 1966, mas também diante do próprio Deus da Bíblia ninguém está acima do bem e do mal. Escrever à Imprensa e a políticos corruptos é bonito, a sociedade gosta, mas confrontar a religião podre não tem a mesma receptividade, é politicamente incorreto, mas não estamos nem nunca estivemos preocupados em agradar quem quer que seja com demagogias. Portanto, frente ao que muitos se calam e muitos membros dela até dizem por trás, leia abaixo a Carta Aberta à Igreja Calvary International, de Edu Montesanti

    24.1.2011

    Os senhores notem, nas diversas passagens da Bíblia que dizem acreditar, que o cristão faz-se pelo que É, não pelo que simplesmente ACREDITA, ao contrário do que aprendi no tempo que aí estive. Junto de acreditar em Jesus há o indissociável e simultâneo mandamento de arrepender-se, mudar-se o caráter:
    isso significa conversão, essa é a categórica mensagem do Evangelho (é o que está aí acima, é o que está na Bíblia dos senhores). E isso vai muito além de mera discussão doutrinária: esse blá-blá-blá de que basta acreditar em Jesus pois, independentemente do caráter que possua o indivíduo é cristão, acaba, inevitavelmente, sendo usado como subterfúgio para encobrir ou, quando não há mais como fugir da realidade, justificar o que há de mais deplorável no meio dos senhores.

    E muito mais que ênfase a conhecimento doutrinário (excesso este que acaba formando um bando de “técnicos na fé”, pessoas chatas e fingidas que agem muito mais por métodos que por sentimento), dever-se-ia priorizar valores e virtudes espirituais na casa. Quando os senhores agem das maneiras mais estúpidas, às pessoas não muda nada se os senhores conhecem demais a Bíblia (e isso conhecem, mesmo), nem quantas vezes leram-na de capa à contra-capa como tanto se orgulham, nem onde estudaram Teologia enfim, nada disso acaba sendo levado em conta por quem prova do veneno dos senhores.

    Se as atitudes condissessem com o que se prega, e daí viesse a Palavra, ficaria bonito. Mas tendo em vista o meio dos senhores e como agem, acaba ficando feio, muito feio escutar suas doutrinas e, tudo que conhecem de teologia, diante dessa fedentina espiritual, acaba causando efeito reverso, antes de tudo contra os senhores mesmos: pega mal tanto conhecimento perante a maneira de relacionar-se com as pessoas, acaba causando surpresa negativa saber o quanto estudaram Teologia, quantas centenas de livros doutrinários possuem na biblioteca pessoal, quantas vezes leram a Bíblia inteirinha enfim, essas coisas que vez ou outra os senhores, teachers, proclamam por aí, soam mal. E, o que é pior, tanta contradição entre teoria e prática funciona como cartão-postal rabiscado da Bíblia àqueles que não têm fé sólida, terminando por gerar até revoltados com Deus dentre tantos que saem do meio dos senhores, indignados.

    Mas é muito mais fácil ser guardiães da Bíblia no falar e defender doutrina, feito um bando de beatos, do que guardar a Bíblia na maneira de viver, como ordenou Jesus.

    “Porém, Eu advirto a todos: a menos que vocês tenham melhor caráter que os fariseus
    e outros líderes dos judeus, não poderão de maneira nenhuma entrar no Reino do Céus”
    (Mateus, 5:20)

    É uma pena que isso, os senhores não ensinem.

    Igreja possui imunidade tributária, por ser considerada benéfica à sociedade. Logo, por mais que vivamos em Estado laico (e assim deve ser), assuntos de corrupção (abuso de poder, constrangimento, discriminação, entre outros) envolvendo a Igreja, qualquer que seja ela, são de interesse público e de meu interesse particular porque aí estive, e de maneira bastante especial conforme recordaremos a seguir – e lembrar-nos-emos, igualmente, que muitas divergências deste comunicado foram levadas também no tempo que aí estive, pessoalmente e por correio eletrônico.

    Os senhores possuem reunião de prestação de contas, mensal e aberta, onde apresentam notas de tudo que entrou e tudo que saiu, em termos financeiros. Nessas reuniões, também elegem membros para os diversos cargos da casa. Realmente, a casa não é das mais corruptas que existem no meio religioso, e entre os senhores encontra-se pessoas de grandes virtudes, as quais admiramos, temos muito carinho e, nada incrível, alguns grandes caráteres aí tampouco “se bicam” muito com os senhores – referimo-nos a alguns ligados à liderança, para não irmos além e chegarmos às críticas generalizadas e indignadas (por trás) de membros (sabem muito bem disso, alguns desses casos levamos diretamente aos senhores, outro bem conhecido de todos aí e muito vergonhoso citaremos nesta Carta, mais adiante).

    Mas quanto às reuniões de prestação de contas e eleições, lembramo-nos muito bem de um caso que retrata e sintetiza perfeitamente o sistema de aparências dos senhores: “Na reunião [de prestação de contas] do próximo domingo, Kerry Anderson ‘será eleito’ (!) diácono”, anunciava o boletim semanal. A não ser que o dom de profecias dos senhores seja de causar inveja a muita igreja pentecostal, a casa antecipou o resultado das eleições impondo o candidato dela, elegendo Kerry às vésperas sem esperar nem importar-se com o pensamento de todos os membros. Para que eleição? Claro, os senhores necessitam de um álibi, e nada melhor que anunciar: “Somos democráticos e transparentes, tudo aqui é eleito pelos membros, e de todo o dinheiro é prestado contas”.

    Por acaso, de onde veio o avantajado carro do casal Susie e Douglas Pek? Este é o administrador da casa, salário dos melhores, claro, e a outra acumula cargos dentro da casa (lidera missionários sendo que ela mesma nunca foi missionária, vive fechada, mal sai à rua para dar bom dia a um senhor qualquer (e tem missionário aí que não gosta dela por seu caráter, ela sabe bem disso), lidera grupo de solteiros, lidera escola dominical e promove atividades diversas, tais como almoço, festas, retiros e gincanas). Moram em bairro dos mais nobres de São Paulo, o mesmo desta casa, aliás, bem próximos daí, os quais poderiam ir caminhando até o trabalho, isto é, a igreja (como Douglas disse-nos que muitas vezes o fazia, para perder a “barriguinha”).

    Pois o carro deste casal foi presenteado com o dinheiro da comunidade local advindo de dízimos e ofertas, ele também saiu dessas nada democráticas reuniões mensais onde os participantes e os resultados das medidas a ser aprovadas são cuidadosamente preparados de antemão. Muito lindo que a igreja ajude-se mutuamente, na verdade todas deveriam atuar assim, mas, neste caso, os senhores deveriam fazer isso com todos, priorizando quem mais precisa e necessidades mais emergentes, não lhes parece?

    Os senhores formaram um sistema que lhes permite “mandar”, controlar tudo inclusive pessoas, colocar os preferidos dos senhores nos cargos, presentear e ditar todas as regras sob disfarce de uma transparência que não existe nem na cabeça dos mais ingênuos. Os senhores fecham-se de tal forma que essa transparência e democracia do pau-oco serve apenas de fachada, quem está fora pensa que tudo é absolutamente livre de interesses e usufrutos pessoais. Mas não é assim, os fatos estão aí. E nada disso eu “descobri”, pelo contrário, é algo público e notório, sabido de muitos, e tenho a mais absoluta certeza de que os senhores têm plena consciência disso. Asseguro-lhes que é comum encontrar-se pessoas que passaram pelo meio dos senhores, as quais comentam tais fatos.

    Em relação aos que saem daí indignados e até revoltados com Deus, os senhores, via de regra, contam versões muito distorcidas dos fatos que envolveram tais afastamentos, jogando toda a responsabilidade a essas pessoas geralmente de maneira sutilmente bíblica, algo ocorrido conosco mesmo além daquele que é um dos casos mais feios que já aconteceram aí (ao menos, dentre os que temos conhecimento): Cristina Franje, menina adorável, carinhosa, de família bem constituída, outrora fervorosa e extremamente ativa cristã a qual havia vindo ao Evangelho muito entusiasmada, deixou-os revoltada com o sistema dos senhores, até hoje não querendo nem ouvir falar que o Evangelho existe (deixou-os sob berros com dedo em riste de Mary Fawcett, patroa da igreja, quando Cristina procurou-a pedindo ajuda a membros que estavam sofrendo racismo).

    Pois os senhores contam histórias nada verdadeiras sobre sua saída e, se não bastasse, picham-na dizendo que foi infiel a Deus e era interesseira que frequentava a casa unicamente afim de conseguir uma viagem aos Estados Unidos – o que é totalmente inverídico, já que Cristina vem de família muito rica e atualmente, vejam os senhores, mora nos Estados Unidos apoiada única e exclusivamente em sua família, em seus estudos e em seu trabalho. Ela não precisa nem nunca precisou dos senhores, quem a conhece sabe bem disso, e de como é ela pessoalmente.

    E tão dolorido quanto tudo isso, é ver que no meio de quem cria essas coisas hoje estão pessoas que se diziam muito amigas de Cristina, estavam sempre com ela, saíam e viajavam juntas, foram suas confidentes e até mesmo íam a sua casa nadar na piscina, de cujas atividades fomos, muitas vezes, participantes. Mas, claro, está tudo bem, afinal de contas, salvação não vem de obras mesmo. Foi mais ou menos esse tipo de argumento que Cristina recebeu, em tom gritante e raivoso, de Mary Fawcett, quando havia pedido auxílio a esta pela discriminação que alguns vinham sofrendo na casa.

    Quando requis eu, por correio eletrônico, telefone e PESSOALMENTE prestação de contas desta casa, não fui respondido. Na última vez que aí estive, e disposto a dialogar, o chamado pastor dos senhores simplesmente “sumiu” no pós-culto, talvez trancado em alguma das salas de Comissão de Ética dos senhores. Muito curiosamente, não foi encontrado e nunca respondeu-me mensagens via Internet, nem atendeu-me aos muitos telefonemas ao contrário do que sempre havia feito durante o tempo que aí estive – chamadas e mensagens virtuais em época que eu trabalhava de segunda a segunda-feira, disso os senhores sabem muito bem.

    Hoje, depois de tudo, peço a Deus muita sabedoria a quem abrir minha vida, e quanto aos senhores, tanto quanto depender de mim, não me esperem nunca, não lhes abro a boca nunca mais para dizer nem um a, e espero não precisar vê-los nunca mais. Os senhores são totalmente indignos de confiança…

    Não se faz necessário argumentar sob uma perspectiva bíblica: em qualquer lugar, seja lá qual for a crença das pessoas, mesmo em uma Delegacia de Polícia é de se escandalizar com os motivos pelos quais sentimos náuseas quando lembramos que os senhores existem – muitos destes motivos abstemo-nos de expor aqui, mas os senhores sabem muito bem a que nos referimos.

    “Joguemos corda para que ‘ela’ se enforque”. Foi isso que ouvimos do pastor dos senhores quando levamos a ele, assim como a outros da liderança, o de todos conhecido caso Katia, quem, sistemática e agressivamente, tentava jogar pessoas daí contra os senhores, bem como contra os que pertecem ao grupinho dos senhores, e uns contra os outros em geral na casa, algo já insuportável que levou mais pessoas a buscarem-nos por isso (uma delas buscou-me preocupadíssima com o caso, e sugeri que os comunicasse, o que acabou sendo feito). Insistimos aos senhores que resolvessem o assunto, chamassem-na para um diálogo e dispusemo-nos a estar presentes também, pois estava muito desagradável a situação.

    Pois deixamos a pergunta: é papel de pastor e demais líderes do Senhor limitar-se a jogar corda para “ovelha” se enforcar? Acreditamos que não, ao menos não é isso que os senhores pregam, nem é esse tipo de ideia que vem semanalmente escrito nos boletins da casa.

    O meio dos senhores é afamadamente preconceituoso, elitista, demasiadamente fofoqueiro (algo duramente condenado pela Bíblia, e o péssimo exemplo aí se inicia nos líderes) e indireto (é costume na casa, entre outros, mandar recados pessoais em cima do palco, detrás do púlpito, e líderes, quando equivocados em seus julgamentos ao próximo, geralmente levados pelo costumeiro disse que disse local, não raras vezes acabam jogando “ovelhas” do seu grupinho contra outros fechando-se em vergonhosa, agressiva e totalmente excludente “panelinha”, nem que para isso tenham que se valer de jogar no ventilador problemas pessoais revelados em salas de aconselhamento, o que é grave caso de Polícia. E quando fica esclarecido que os equívocos foram causados por tais “líderes do Senhor”, com total cara-de-pau fazem como se nada tivesse acontecido. Claro, afinal de contas, os inquestionáveis “líderes do Senhor” não erram nunca, e, portanto, jamais pedem o tal perdão que tanto pregam).

    Em meio a tudo isso, os senhores, líderes do Senhor, escolásticos da fé ficam aí tapando o sol de vossa realidade com a peculiar peneira da hipocrisia dizendo que “perdem” jovens para outras igrejas porque estes buscam algo mais animado que as celebrações mortas daí, o que está muito longe da verdade, e disso os senhores têm plena consciência: jovens e tantos outros de diferentes faixas etárias saem daí pelo ambiente nada amistoso, e podemos citar muitos nomes dos que têm deixado a casa dizendo isso (inclusive o meu), e de outros que ainda frequentam o local, mas igualmente dizem isso – por trás, claro.

    A estrutura do faz de conta dos senhores é assim e, vale enfatizar, boa parte do conteúdo desta Carta dissemos pessoalmente a alguns dos senhores, quando gozávamos de boa relação – e boa relação mantivemos sempre com TODOS incluindo toda a liderança, sem nenhuma exceção.

    Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes
    I Coríntios, 1: 19
    Deus, em sua sabedoria, providenciou para que o mundo
    nunca O encontrasse através da inteligência humana
    I Coríntios, 1: 21

    Sobra letra, há arrogância em demasia, falta discernimento. Essas virtudes, sabedoria, entendimento, luz, o Senhor Jesus disse, seriam dos simples de coração (Mateus, 5:3). Tudo isso é apenas parte do exemplo de que, na casa, os senhores são docemente servidos pela religião. De minha parte, definitivamente, chegou um momento que tal doçura tornou-se insuportável.

    Iguaizinhos aos fariseus dos tempos de Jesus, os senhores, legalistas contemporâneos, caem, condenam-se em seus próprios julgamentos duros e insensatos em relação aos que não compactuam com suas regras doutrinárias. Se um cristão o é apenas pela crença que Jesus morreu na cruz pelos pecados da humanidade, independentemente de como se viva, bem, neste caso os senhores mesmos já estão condenados: em primeiro lugar, porque cristãos que não fazem parte da via doutrinária daí (e os senhores são interdenominacionais apenas no cartãozinho do pastor e na placa do lado de fora da casa, sabem muito bem disso os senhores e “todos” da agressividade que se vomita ao diferente aí) não só não são considerados cristãos, como também acabam sendo, não raras vezes, mal-tratados, expostos, discriminados nesse meio e mais ainda no co-irmão BSF International (Estudo Bíblico do “Companheirismo”, pasmem!, na sigla em inglês), estudos doutrinários realizados semanalmente na referida igreja.

    Pois esse BSF é outro caso à parte: acumula cada vez mais antipatizantes pela intolerância e defesas raivosas de suas ideias doutrinárias, marca registrada desses estudos cujos líderes e membros “mais chegados” praticam, pelas alamedas da casa, bastante conhecida caça às bruxas a cristãos de outras denominações, e nas classes constrangem, colocam esses indivíduos em situações de mal-estar e até exposições ao ridículo perante o grupo, tudo isso além do caráter elitista e preconceituoso ao extremo que afasta a grande maioria dos que procuram tais estudos, fazendo destes um convívio insuportável sendo que nem seus próprios comandantes aguentam o ambiente que criam: tais “cães-de-guarda do Senhor” acabam “pegando-se” entre eles mesmos, sempre foi assim.

    Fontes fidedignas aí de dentro do BSF/Calvary confidenciaram-nos (se bem que nem havia necessidade, isto é óbvio) que desde sua matriz nos Estados Unidos (mais especificamente do Texas, uma das regiões mais discriminatórias do mundo) espalham-se ordens por todo o mundo (o BSF é mundial) para que haja esse nada cristão “combate ao diferente” em tais estudos (“diferente” refere-se a cristãos que não sejam batistas nem presbiterianos como eles e os senhores mesmos, os quais, por questões doutrinárias, não são considerados nem mesmo cristãos pelos BSFers, ainda que sejam evangélicos). Vale lembrar: líderes do BSF ocupam e sempre ocuparam cargos importantes no meio dos senhores, e tantos outros que saíram do meio de ambos, ocuparam-nos igualmente. E mais: nos cartazes da casa, informando atividades semanais, lá está o BSF com seu dia e horário, como parte do que oferece a igreja aos que a procuram.

    E uma das coisas mais curiosas dentre os BSFers, e dentre os senhores mesmos (ambos se confundem, em todos os sentidos), é que o argumento-chefe para se discriminar os que não são de igrejas batistas nem presbiterianas, é que “ferem a soberania do Senhor na maneira de orar”. E os senhores, não ferem a soberania de Deus escurraçando esses indivíduos do meio dos senhores?! Mas, claro: a doutrina dos senhores limita-se a assuntos religiosos, a métodos cerimoniais, puramente teóricos e vazios reservados às quatro paredes da paróquia; já em questões mais práticas, os senhores se esquecem ou nem se dão conta de muito daquilo que pregam, e quando isso é observado trata-se de coisa do diabo, com a maior cara-de-pau igreja perseguida (!) para o que vomitam, justificando-se: “Salvação não vem de obras!”. Cegos guiando cegos! (Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966): Art. 19 – 1. Ninguém poderá ser molestado por suas opiniões. Art. 20 – 1. Será proibida por lei qualquer apologia ao ódio nacional, racial ou religioso, que constitua incitamento à discriminação, à hostilidade ou à violência. Declaração Universal dos Direitos Humanos: Artigo 18. Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observâcia, isolada ou coletivamente, em público ou em particular. Artigo 19. Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras. Constituição Federal Brasileira de 1988, artigo 5°, dispositivos: VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; e XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais).

    Segunda auto-condenação dos senhores: a doutrina de Jesus não é a mesma dos senhores, estão aí os versos bíblicos NUNCA lidos no meio dos senhores, fariseus. A doutrina de que basta acreditar que Jesus morreu na cruz sem importar a conduta, não é o que disse Jesus como lemos mais acima, nem nenhum de seus apóstolos nem nenhum profeta da Bíblia jamais disse isso, nem ninguém na Bíblia que se converteu de verdade deixou de experimentar mudança de caráter. Arrependimento, conversão das “atitudes”, obediência e caráter diferenciado (naturais na vida de quem ama Deus) é tudo mandamento, obrigação, não sugestão de Jesus nem algo opcional ao cristão: “A menos que vocês tenham melhor caráter que os fariseus e outros líderes dos judeus, não poderão de maneira nenhuma entrar no Reino do Céus” (Mateus, 5:20).

    Aliás, NUNCA se faz NENHUMA explanação pastoral na casa baseada no “Evangelho”. Aborda-se a vida de profetas antigos, ligando-os a passagens das cartas de Paulo, principalmente, ou vice-versa, mas uma pregação baseada, focada no Evangelho mesmo NUNCA se faz aí, a não ser para alegar que os pecados já estão perdoados, que Jesus morreu na cruz, aí sim, “passa-se”, apenas “passa-se” por ele e cheios de formalismos na entrada dos cultos fazendo-se solene menção de uns versinhos isolados do Evangelho, precedidos e antecedidos de outros formalismos repetitivos em cada culto. Assim, torma-se o Evangelho um caso à parte na casa, meio que um memorandum, exatamente como tem feito a Igreja Católica ao longo de todos esses séculos desviando-se da essência de Jesus, dominando pessoas, assegurando seu lugar inquestionável perante as pessoas, servindo-se da religião. O Evangelho deve ser revolucionário demais para os senhores, não é mesmo!?.

    Portanto, perante tudo isso, considerando que a afirmação dos senhores esteja correta, de que basta ser adepto de doutrina para considerar-se cristão, essa mesma doutrina dos senhores já os condenou. Nem naquilo que se julgam tão bons, nas letras, os senhores prestam. São míopes.

    Como os fariseus da época de Jesus, os senhores, grandes ignorantes que quanto mais estudam menos sabem, “são cegos guiando cegos, não entram no Céu e não deixam que outros entrem. São como belos túmulos – cheios de ossos de homens mortos, de podridão e sujeira. Pocuram parecer homens santos, mas por baixo desses mantos de bondade, estão corações manchados de toda espécie de fingimento e pecado” (Jesus). Por isso, tantos indignados, até incrédilos e revoltados com Deus saem do meio dos senhores. “Mas se qualquer um de vocês fizer um destes pequeninos que crêem em Mim perder a sua fé, seria melhor para vocês serem jogados no mar com uma pedra amarrada no pescoço” (Jesus).

    Isso não “cola”, os senhores, que pregam uma coisa e vivem outra, NUNCA convencerão NINGUÉM bem-intencionado e minimamente sensato, que um mau-caráter membro de vossa igreja está no caminho de Deus, enquanto vai para o inferno um mendigo perdido que nunca teve oportunidades na vida, nem a de frequentar a casa dos senhores (e mendigo dificilmente faria parte dessa “família” dos senhores).

    Os senhores NUNCA me convenceram que teoria está dissociada de prática na Bíblia, nem nunca me convencerão disso. Desse tipo de ensinamento e de seus malefícios práticos, origina-se o total descrédito da maioria das igrejas evangélicas em todo o mundo. Os danos que essa doutrina causa ao ser humano, à sociedade são muito grandes, nem se necessita discorrer sobre eles aqui. Mas é-lhes interessante, precisam defender raivosamente tal ensinamento (como é-lhes peculiar fazer e trata-se de prática bastante conhecida de todos) para justificar o péssimo caráter que possuem.

    Por falar em cegos guiando cegos, ainda em relação aos que possuem doutrinas cristãs diversas às da casa já tivemos o desprazer, entre tantos, de escutar gente totalmente entremetida aos senhores (que defende fielmente suas ideias e foi ensinada pelos senhores), quando falávamos de determinada pessoa que frequentava outra igreja, dizer categórica e raivosamente (para não perder o costume) que seria melhor que tal adepto estivesse desviado, afastado da respectiva igreja, como realmente estava, do que frequentando-a por causa de determinadas doutrinas (!), as quais não têm NENHUMA relação com questões morais, não interfere, em absoluto, em nada disso.

    O próprio chamado pastor dos senhores já nos fez, diretamente a nós, referências semelhantes a outras casas e não por questões morais, nada disso, até porque a isso os senhores não dão muita pelota, mas puramente por “questões doutrinárias”. Além do mais, já testemunhamos diversas vezes aí situações agressivas em relação a pessoas de diferentes igrejas, sob tal “percepção espiritual” da casa, e nós mesmos já sofremos calados esse bombardeio doutrinário extremamente desagradável, por vezes, por haver um ou outro aí notado em nós pensamentos diversos (como, por exemplo, no que dz respeito aos versos bíblicos acima) ou por terem “descoberto” nossa perversa alimentação vegetariana, após termos conversado a esse respeito com uma nutricionista da casa com o intuito de receber informações, ao que não fomos perdoados, mas raivosa e insistentemente “admoestados no Senhor”, inclusive tal bombardeio doutrinário sobre nossa opção alimentar em hora de almoço e sem intervalo com a irritação que lhes é peculiar, além de bife e muita batata frita no prato (inclusive no prato da nutricionista antivegetariana raivosa da casa (!). Parece piada, não!?), enquanto tentávamos, em paz, degustar nossa humilde saladinha (para tudo isso que mencionamos, há testemunhas oculares).

    Os senhores são ridículos! Essa cegueira inquisidora é sabida de muitos, costumeiramente agressivos aos que saem uma vírgula de seus métodos doutrinários com o devido cuidado de não ser tão abertamente dito, afinal, os senhores dizem-se interdenominacionais. Nós mesmos já estivemos entremetidos suficientemente aos senhores para saber bem que, dessa ideia de que é preferível ao sujeito estar desviado de determinadas igrejas por questões metodológicas, a casa compactua – muitos que passam por aí ouvem coisas do tipo ainda que, em alguns casos, não tão diretamente e, via de regra, sente-se nitidamente o ambiente nada interdenominacional daí, na maneira de ser tratado. Repetimos: é famoso o semblante transfigurado dos senhores e a acentuada irritabilidade no falar quando se trata de defender raivosamente as ideias doutrinárias dos senhores.

    Pois tal “visão” é de uma cegueira espiritual, pior que isso: é de um egoísmo, de uma raiva, de uma obsessão, de um fanatismo tal que caracteriza bem as personalidades da casa, é a marca registrada desse meio pesado, generalizadamente intolerante, agressivo, totalmente dividido (sempre foi assim) cujo ambiente nem os senhores mesmos aguentam, algo que extrapola os limites do fanatismo religioso (se é que fanatismo conhece limites) – tanto que os senhores tomam bastante cuidado em não dizer tão abertamente muita coisa que faz parte da cartilha religiosa da casa, que contraria totamente sua placa interdenominacional, para não falar nos princípios de tolerância, amor e respeito da Bíblia…

    Como mencionamos mais acima, abstemo-nos de citar determinados fatos aqui e, se já não bastasse o mencionado até agora, seria difícil a quem toma conhecimento desses acontecimentos, imaginar que isso aí se trata de uma “igreja”.

    Como gostam de tomar os principais lugares nos banquetes, e nos bancos reservados na sinagoga!
    Como apreciam a consideração que se presta a eles nas ruas, e gostam de ser chamados de ‘mestre’!Mateus, 23

    Por fim, em poucos lugares na vida ouvimos falar-se tanto em ética quanto aí, no meio dos senhores. Apenas lamentamos que toda essa ética resuma-se aos lindos ternos e gravatas de seus membros, bem como às vestimentas das damas e aos sempre fashion penteados da Susie. É a religião do discurso e das aparências na qual as antivirtudes acabam sobressaindo-se devido à muitíssimo maior valorização aos verbos “crêr”, “conhecer”, “ter” e “aparentar” do que ao verbo “ser”. Enfim, nem tudo que reluz é ouro. Perfeição? Jamais esperamos isso, nem muito menos cobramos algo que não temos e está fora do alcance humano – até porque, vale lembrar a MUITOS, inclusive da senhora liderança, que passamos muito tempo perdoando e perdoando, deixando passsar… E quando erramos, fomos os primeiros a pedir as devidas desculpas (coisa NUNCA feita da parte dos senhores, nem para conosco nem para com NINGUÉM! É o velho estilo maquiavélico: faça o que eu digo, não faça o que eu faço). Mas, quando saiu de vez do quesito falibilidade humana e tornou-se deliberada corrupção (nada novo na casa, mas nem por isso menos deplorável), não pudemos mais permanecer. E ninguém jamais aparaceu para explicar, nem mesmo para dizer que estávamos equivocados. Que houve falta de oportunidade para isso, os senhores nunca poderão dizer, se é que ainda resta vergonha na cara e algum respeito a Deus… Por fim, se não pudemos mais permanecer, os senhores, por sua vez, não puderam silenciar-nos. Isso seria impossível, depois de tudo.

    Todos os súditos estavam de joelhos, admirando as roupas novas do rei. Aos milhares, os plebeus o aplaudiam. Nunca tinham visto algo tão bonito.

    De repente, uma garotinha que segurava a mão da mãe em meio à multidão apontou o dedo ao rei e disse:
    – Mamãe, o rei está nu! Ele não está usando roupa nenhuma!

    Ninguém acreditou na garotinha. Sua mãe pediu que ficasse quieta e todos esqueceram dela. As pessoas continuaram a admirar as roupas novas do rei (…). Todos os outros agiram motivados por seus interesses, por seus medos ou por uma combinação de ambos.

    Passagem do livro Síndrome de Pinóquio, uma de nossas recomendações literárias

    (As Cartas Abertas de Edu Montesanti são enviadas aos envolvidos através de correio eletrônico,
    aos quais informamos também sua publicação no Blog. Respostas seriam incondicionalmente publicadas, exatamente aqui. Até hoje, ninguém se manifestou)

  2. Que estória é essa???? “Cana” neles. Andou fora da linha tem que pagar.

  3. Ainda bem que o tiro saiu pela culatra……………………..

  4. Eugênio L. Sarmento

    Eles precisam de imunidades para se protejerem dos inúmeros crimes que cometem, seja em querras criminosas, como a do Iraque, seja na recente crise econômica, quando inundaram o mundo com títulos “tóxicos” (eufemismo para fraude).

  5. Márcio André

    A cada dia que passa eles se desmoronam cada vez mais, como um castelo de cartas. Vejam que não foram publicados todos os 250.000 documentos da diplomacia dos “porcos” do norte. Imagina quando o mundo souber de todos.
    O império está ruindo e eu estarei aqui, de camorate, vendo tudo vir abaixo, aos poucos, dando gargalhadas porque finalmente a PROSTITUTA do mundo caiu definitivamente. Deus há de me dar vida longa para vê-los pedir arrego ao mundo!

  6. A desinformação corre solta, que adianta meia dúzia saberem a dimensão das informações apuradas até agora enquanto os meios tradicionais deflagram uma guerra pela amortização das denúncias?

  7. Há duzentos anos situação semelhante, com final diferente, acontecia.
    No art. 10 do Tratado de Comércio e Navegação de 1810:
    “Sua Alteza Real o príncipe regente de Portugal (D. João), desejando proteger e facilitar nos seus domínios o comércio dos vassalos da grande Bretanha assim como as suas relações e comunicações com os seus próprios vassalos, há por bem conceder-lhe privilégio de nomearem e terem magistrados especiais para observarem em seu favor como juízes conservadores naqueles pontos e cidades dos seus domínios em que houverem tribunais de justiça, ou possam ser estabelecidos para o futuro. Esses juízes julgarão e decidirão todas as causas que forem levadas perante eles pelos vassalos britânicos, do mesmo modo que se praticava antigamente e a sua autoridade e sentenças serão respeitas…etc.”

  8. lúcio asfora

    A cada revelação do wikileaks sobre os bastidores da diplomacia estadunidense na casa da gente, o nome do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães sai engrandecido e os de seus detratores, amesquinhados. Que outro país ousaria tratar o Brasil como uma cubata, requerendo condição de 1a. classe para os seus nacionais? Tachar de “anti-americano” um cidadão exemplar, que simplesmente não barganha com a soberania de seu país, expõe apenas o grau de servilismo de quem o acusa.

  9. os militares querem servi aos eua do ao brasil. temos ue tirar o nelson jobim esse ministra psdbista.

  10. Não vejo a hora de cairem todas as máscaras americanas.
    Seu tempo está acabando. O Império ROmano, de 2 mil anos acabou,
    porque um paizinho como aquele não acabaria também?
    Baseado na mentira, dentro e fora dos EEUU, só mentiras, só
    enganação.

  11. Dirceu Barquette

    Há muito procuro acreditar que as coisas não são tão ruins assim. Há pouco descobri que estava errado. Vis senhores da guerra não deixarão a humanidade em paz… O que mais querem de nós?

    • Estão doentes como todo mundo que tem o poder. Até o Obama já disse “queremos continuar sendo o 1º do mundo”. É isso que querem…
      Brasileiro não tem essa “coisa”. Espero que continuem assim…

  12. Esse é o Tio Sam!!

  13. Marcos Roma Santa

    A sordidez norte-americana já nos é sobejamente conhecida. Portanto, nada de novo sob o sol. O que realmente me preocupa é constatar que as forças armadas brasileiras, infelizmente, continuam dispostas a servir antes aos norte-americanos do que ao seu próprio país.

  14. É assim que funciona o imperialismo. Uma das melhores exposições neste blog, parabéns.

  15. Por que não associar os cables, se disponíveis, que serviram como fonte no corpo do artigo, levando o leitor diretamente ao site? Eu gostaria de vê-los e poder tirar minhas próprias conclusões após ler seu texto.

  16. Para prevenir que Costa Rica associa-se ao TPI, os EUA ameacaram Costa Rica: “Se Costa Rica associar-se a TPA, os EUA poderiar classificar os portos da Costa Rica como “insecure”!” (O que causaria problemas ao turismo maritimo e alza nos seguros). Mas, o governo de Costa Rica desta epoca tem associado Costa Rica a YPI. A ameaca foi descoberta pelo sindicato de funcionarios do governo que tiveram um sistema de “ecutar” em sigilio o que acontecia no Palacio Presidencial…

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