E o que fazer com quem considerávamos terroristas?

Um documento publicado pelo WikiLeaks mostra como os americanos têm dificuldade ainda hoje de lidar com ex-opositores da ditadura militar no Brasil, que na época eram considerados “terroristas”.

O telegrama enviado em 15 de outubro de 2009 ao Departamento de Estado pede orientações a respeito do visto concedido a Paulo de Tarso Venceslau, ex-integrante do grupo Aliança Libertadora Nacional que participou do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick.

Ele acabava de obter um visto de turista no consulado dos EUA em São Paulo.

Segundo o telegrama, a diplomacia americana se preocupava que, ao perdoar ex-guerrilheiros, isso enfraqueceria sua luta contra o terrorismo.

“A missão vê implicações potenciais na expedição do visto em termos da política e da mensagem mais ampla dos EUA sobre terrorismo, em especial em relação aos oficiais americanos”, escreveu a diplomata Lisa Kubiske.

Paulo de Tarso participou do sequestro do embaixador americano em 1969 ao lado do hoje deputado federal Fernando Gabeira e do atual secretário de comunicação da presidência Franklin Martins. Até hoje eles não têm permissão para viajar para os EUA. Em troca da libertação do embaixador, 15 presos políticos foram soltos.

No comunicado, Kubiske explica  que o consulado expediu o visto sem saber do passado de Paulo de Tarso. Para ela, o visto ainda podia ser barrado.

Só deveria ser expedido se Paulo de Tarso renunciasse publicamente ao sequestro enquanto tática válida. “Nós teríamos que buscar essa afirmação”, escreve ela. Mesmo assim, ela observa que “se ele fizesse essa renúncia, expedir um visto a Venceslau constituiria um precedente em relação aos outros sequestradores, pelo menos dois dos quais (Gabeira e Martins) provavelmente vão pedir um visto num futuro próximo”.

A diplomata nota que Gabeira critica hoje em dia o sequestro, mas observa com preocupação que Franklin Martins “se recusa obstinadamente a expressar remorso por seus atos”.

Mesmo assim, Kubiske avalia que seria positivo para a relação entre os países se o visto fosse mantido, “considerando que já passaram 40 anos desde o sequestro e a natureza política da oposição ao regime militar”. Além disso, retirar o visto poderia causar reações negativas na imprensa e no governo.

O telegrama também reproduz parte da ficha de cada um dos sequestradores no FBI.

“De acordo com relatos da imprensa e arquivos do FBI, Paulo de Tarso Venceslau ajudou a planejar detalhes do sequestro, foi um dos passageiros no veículo usado para bloquear o carro do embaixador, rendeu o motorista e foi um dos que entraram no carro do embaixador e o escondeu. Enquanto o embaixador estava preso, Venceslau ajudou a montar a lista de 15 presos políticos que o grupo exigiu que fossem libertados”, diz o telegrama.

Clique aqui para ler a íntegra, em inglês.

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7 Respostas para “E o que fazer com quem considerávamos terroristas?

  1. O pior é que esta parte da história não está escrita nos livros de história. A hora que estes dinossauros passarem desta para uma melhor, a história vai junto e só ficarão as revoluções do século XVII para as futuras crianças estudarem.

  2. Remindo Sauim

    E o terrorismo americano praticado no Afeganistão e Iraque?

  3. Terrorista para alguns, heróis para outros; o que é terrorista hoje amanhã pode virar herói, e vice-versa. Para alguns Romeu e Julieta virou comedia, mas ja foi drama, ainda é??? E assim de texto em contexto vamos narrando a nossa vidinha, com uma boa dose de mentiras em meio as supostas verdades.

    Justiça só existe no “social” porque no “natural” não faz sentido, mas será sempre uma “utopia” ja que o “natural” nos abarca, a briga é antiga – por justiça social – e sera eterna, pelo menos enquanto houver eternidade. Eu tô na luta…

    Tudo óbvio no óbvio. Não me admira os estadunidenses não darem o visto pro maluco ae, mas fazer o que lá tbm???? Vai saber… cada um com a sua razão.

    Bom trabalho Natalia (2), mas prefiro vc na rua – cada um puxa a sardinha pra sua brasa – é la que a Vida acontece e onde o seu talento faz a diferença!

    Bons momentos!

  4. alexandre de melo martins

    deve ser dito aos americanos que o preço por ter seus
    embaixadores sequestrados é por enviarem militares para
    treinar torturadores,o que eles negam.
    dizem que o tal chandler veio fazer intercambio
    e morreu inocente; inocente morreram centenas; nas mãos de
    torturadores treinados na escuela de las americas,
    nossa escola superior de guerra. clube de torturadores.
    espero que os ministros brasileiros proibidos de entrarem nos eua,
    só tirem passaporte para ir na onu, pois se os eua proibirem sua entrada na onu, que o Brasil, pleitei uma sede neutra para a onu, diminiundo a pressâo
    americana sobre este organismo e aumentando sua independencia.

  5. O Brasil tinha é que proibir a entrada aqui de todos os estadonidenses que tinham alguma relação com o o golpe de 64.

    http://www.lastfm.com.br/group/WikiLeaks+BR

  6. Não tem que renunciar sequestro nenhum não!!!

    E o 11 de Setembro que ninguem fala, onde os malditos Yankes treinavam cachorros para estuprarem mulheres. E todo o ferro estraido do Brasil na época da ditadura????

    Eles nos devem muito!!!!

    Não temos que pedir desculpas porra nenhuma!

  7. Esses estadunidenses acham que podem tudo no mundo, e para a infelicidade geral das Nações para muitos eles podem!
    Essas divulgações para aqueles que não sabiam do que esses crápulas são capazes é uma boa forma de tentar abrir algumas cabeças alienadas, mas com tantas mentiras e com grande parte das lideranças que os apóiam fica muito complicado colocar isso nestas cabeças.
    Acho que a tentativa estadunidense de desmoralizar o Wikileaks é um tiro no pé, mas com todas essas informações fica muito claro que “eles” ainda exercem grande influência sobre os colonizados!
    O papel da “justiça” brasileira em alguns dos casos aqui relatados mostra o grau de respeito que esses cretinos têm pelo populacho brasileiro!
    Bom trabalho Natalia!
    Provos Brasil

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