O Brasil e a Cuba pós- Fidel

Documentos que serão publicados hoje pelo WikiLeaks mostram como a diplomacia americana manteve Washington informado sobre as relações entre Brasil e Cuba.

Em uma reunião em Brasília no dia 7 de fevereiro de 2007, o assessor especial da presidência para assuntos  internacionais, Marco Aurélio Garcia – que mantém o mesmo cargo no governo de Dilma Rousseff – comentou extensamente sobre sua visão a respeito de Cuba depois de Fidel Castro.

Garcia falava a alguns dos mais importantes membros do corpo diplomático americano: o subsecretário de Estado dos EUA, William Burns, o assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental Thomas Shannon, (hoje embaixador no Brasil), o ex-embaixador Clifford Sobel e o assessor político William McIlhenny.

Segundo Garcia, o governo brasileiro já acreditava ser “altamente improvável” que Fidel Castro voltasse a exercer o poder.

“O declínio Fidel no último ano levou a população cubana a contemplar um futuro diferente, mas todos têm dificuldade em imaginar que future será”, teria dito.

Ele avaliava que o regime se tornara insustentável por ter sido construído apenas sobre a figura carismática de Fidel.

Futuro

Garcia teria ainda duvidado de que Cuba poderia replicar o modelo chinês:  “A China é uma civilização, Cuba não é… Eles não têm a paciência, recursos ou organização para emular o modelo chinês”, cita textualmente o telegrama datado de 13 de março.

Mais importante, Cuba não teria uma “vocação econômica”, tendo sido incapaz de organizar sua indústria turística, capacidade medicinal ou outros setores produtivos em uma estratégia de produtividade ou auto-sustentação.

“O Brasil quer ajudar, e está oferecendo assistência e mercados a Cuba, mas os cubanos têm que definir a decisão por eles mesmos”, teria dito o brasileiro.

O subsecretário americano Burns perguntou então sobre o papel da Venezuela na transição cubana.

“Garcia disse que Cuba e Venezuela são mutuamente dependentes no curto prazo (ex. “petróleo em troca de expertise”), mas a morte  de Fidel deixaria um vácuo que Chávez vai querer preencher”, relata o documento.

Em seguida, o assessor especial da presidência teria dito que o tipo de populismo estridente de Chávez “tem menos espaço para crescer na América Latina do que vocês podem crer” e que poderia ser neutralizado se houvesse outras possibilidades – em especial se os EUA acabassem com o embargo econômico.

“Nós não concordamos com o caminho de Chávez, e não é o que escolhemos”, teria declarado Garcia. “Chávez é um produto da crise na Venezuela, não sua causa.”

Na moita

Em resposta,  Thomas Shannon explicou que o Estados Unidos têm tentado assumir uma posição cuidadosa e discreta em público sobre a transição cubana, mas que os outros países da região deveriam pregar a democracia.

“Se um governo de transição pudesse adotar passos concretos – por exemplo,  libertar prisioneiros políticos – a reação positiva nos EUA poderia ser considerável. Mas outro país que não os EUA tem que pressionar os líderes cubanos nesta direção”, disse Shannon.

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4 Respostas para “O Brasil e a Cuba pós- Fidel

  1. É preciso observar atentamente os jornais “exclusivistas”. Aliás não consigo entender o porquê de se dividir a “exclusividade” entre dois jornais conservadores. E a imprensa progressista não vale nada não? Tem havido críticas contundentes na forma de agir desses jornais e nas suas análises dos documentos do Wikileaks, notadamente quando se trata de assuntos relativos ao governo brasileiro. Eles se aproveitam da “oportunidades de ouro” que tiveram e se transformam claramente em mais dois partidos de oposição desleal e ferrenha. Pelo que me consta, oposição deve se feita pelos partidos políticos com assento no Congresso e não por jornais. Pelo menos é o que reza a Constituição.

  2. Cuba libertou varios prisioneiros e o que os EUA fez? Porcaria nenhuma! Sobre o discurso do Marco Aurelio Garcia. Para ler os artigos sobre os telegramas ou os proprios telegramas, é preciso ter na cabeca que o que está escrito ali é o americano contando a historia, do ponto de vista dele. Agora, o que o Marco Aurelio ta falando ali é pros EUA nao se preocuparem com a Venazuela, deixar o Chavez em paz. Que o povo cubano quer mudanca e Cuba esta mudando, e com o Brasil apoiando. E que ajudaria bastante se os EUA retirassem o embargo.

  3. Oi Arman,

    Que bom que você perguntou.

    Estou utilizando o passado imperfeito para demonstrar que as frases de Marco Aurélio Garcia estão citadas no documento – mas isso não significa uma prova cabal de que elas tenham sido proferidas da maneira como estão dscritas pelo embaixador. A esse respeito, veja meu post “documentos são documento, afinal”.

    Todas as frases citadas entre aspas estão nos telegramas da embaixada, textualmente, e portanto pode ficar sossegado, não se tratam de especulação.

    Um abraço,

    Natalia Viana

  4. Por que os verbos estão no passado imperfeito?
    Essa notícia é ou não é segura?
    Tudo me parece especulação…

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