EUA pediram que Brasil doasse US$ 10 mi à Palestina

Um telegrama publicado pelo WikiLeaks revela os bastidores da mudança de postura que significou o governo de Barack Obama em relação às negociações de paz entre Israel e Palestina.

O documento confidencial, datado de 4 de setembro de 2009, mostra que a diplomacia americana pediu que o governo brasileiro doasse 10 milhões de dólares para a Autoridade Nacional Palestina.

Mas o Itamaraty não deu uma resposta conclusiva, alegando que outra doação US$ 10 milhões para a reconstrução da faixa de Gaza ainda não havia sido aprovada pelo Congresso.

A doação de 25 milhões de reais acabou sendo feita apenas em meados do ano passado, e sob críticas. Congressistas consideravam que o dinheiro era muito necessário para o Brasil.

Já os EUA têm aumentado significativamente suas doações para a autoridade palestina. No total, os EUA doaram 740 milhões de dólares à Palestina em 2010 para fortalecer a instituição, treinar forças de segurança e manter os palestinos engajados nas discussões de paz.

Reunião

O documento publicado pelo WikiLeaks descreve uma reunião em 3 de setembro de 2009 do representante político da embaixada com os então diretores da divisão do Itamaraty para Oriente Médio, Claudio Nascimento e Roberto Abdalla.

“Embora Nascimento, em particular, tenha se mostrado entusiasta do conceito de prover fundos para a Autoridade Palestina diante das negociações de paz, eles admitiram que os US$10 milhões prometidos para a reconstrução de Gaza pelo ministro Celso Amorim antes da Cúpula América do Sul-Países Árabes ainda não foi aprovada pelo congresso”, diz o telegrama.

O documento mostra que o Itamaraty elogiou a postura de Obama sobre o tema. Nascimento teria elogiado a aproximação com a Síria e a ênfase do governo Obama em pedir o fim da expansão dos assentamentos na faixa de Gaza.

“Em contraste com reuniões anteriores com a embaixada, nas quais o Itamaraty tem geralmente criticado a política dos EUA para o Oriente Médio, a resposta sobre a postura dos EUA à questão Israel-Palestina foi bastante positiva. Eles elogiaram especificamente o presidente Obama e o enviado especial (americano, George) Mitchell por terem uma postura diferente e mais prática”.

Posição brasileira é “indefinida”

Segundo a análise da conselheira da embaixada em Brasília Lisa Kubiske, autora do telegrama, o “entusiasmo” do Itamaraty dificilmente se converterá em ações concretas. “Mas o Brasil está determinado a assumir um papel maior”, prossegue ela. “Contatos adicionais com o governo brasileiro sobre esse tema serão boas para informar e influenciar o que ainda é uma política relativamente indefinida com relação à região e em, particular ao processo de paz Israel-Palestina em particular”.

A revelação acontece em meio à polêmica dos documentos publicados pela Al Jazeera que alegam que a Autoridade Palestina teria oferecido parte de Jerusalém a Israel em busca de um acordo de paz. Os documentos também mostram a cooperação próxima entre forças de segurança israelense e a autoridade palestina.

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2 Respostas para “EUA pediram que Brasil doasse US$ 10 mi à Palestina

  1. No meu ponto de vista, a atitude americana teve como objetivo aproximar-se dos ideais do governo brasileiro para, apenas, não criar mais um inimigo, sabendo que o governo do Brasil apóia à causa Palestina.

    Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos doaram 900 milhões de dólares para os palestinos, eles doaram 30 bilhões de dólares para Israel.

    Fomentar o conflito? Talvez. Acho que é evidente a posição americana neste conflito, desde a demonização da cultura muçulmana sustentada pelos sionistas até a “Guerra ao Terror” que o WikiLeaks tem mostrado gradualmente as caras dos que são os verdadeiros terroristas.

  2. lúcio asfora

    Mesmo que não tenha sido voluntária, a conexão das duas notas é absolutamente pertinente. Vamos dar um tempo à Autoridade Palestina, para se explicar, mas essa história divulgada pela respeitada Al Jazeera segue um roteiro muito próprio da inteligência israelense. As peças estão se encaixando com uma facilidade de causar espanto, ou mais apropriadamente de causar um terremoto nas relações com o Hamas. Tudo o que espera Israel.

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