Arquivo do mês: fevereiro 2011

Na disputa presidencial entre Alckmin e Lula, os EUA estavam tranquilos

por Juliana Sada, O Escrevinhador

Nesta semana, o Wikileaks revelará uma série de documentos da embaixada estadunidense do Brasil sobre as eleições presidenciais de 2006.

Ao longo do ano, os diplomatas americanos estiveram atentos à movimentação dos dois principais candidatos: Geraldo Alckmin, do PSDB, e Luíz Inácio Lula da Silva, do PT. Os diplomatas fizeram diversas consultas à líderes políticos sobre o panorama eleitoral, entre eles, os senadores Sérgio Guerra (PSDB/CE), Arthur Vigílio (PSDB/AM) e Antonio Carlos Magalhães (PFL/BA), o então governador Jarbas Vasconcellos (PMDB/PE) e Hélio Costa (PMDB/MG) – então Ministro das Comunicações. Também foram consultados membros dos institutos de pesquisa, assim como especialistas em economia e política externa, ligados ao PSDB.

O Escrevinhador está entre os blogs que têm acesso exclusivo ao conteúdo e durante esta semana publicaremos reportagens baseadas nestes documentos.

Macroeconomia X microeconomia

Um telegrama confidencial enviado em março de 2006 da embaixada dos EUA em Brasília analisa as tendências econômicas dos dois principais candidatos. Já no início se afirma que as eleições de 2006 trazem menos incerteza sobre o futuro econômico do que as eleições de 2002, afirmando que Lula “estabeleceu um recorde surpreendentemente forte de gestão macroeconômica ortodoxa”, durante o primeiro mandato.

Após um breve comentário sobre a gestão do tucano em São Paulo, o documento afirma que do ponto de vista da política macroeconomia ambos candidatos seriam de continuidade, apesar de não terem apresentado uma plataforma eleitoral. Charles Wortman, presidente do banco JP Morgan, afirmou à embaixada que “a adoção das políticas macroeconômicas não é mais específico de um candidato ou partido, mas se tornou institucionalizada”.

A principal diferença entre os dois candidatos estaria na política microeconômica. Em conversa com oficiais da embaixada, o economista Raul Velloso, ligado ao PSDB, avaliou que Alckmin estaria disposto a investir no projeto da Alca, Acordo de Livre Comércio das América. Esta é apontada, pelo funcionário do consulado, como a principal diferença entre os dois candidatos que atinge os interesses dos Estados Unidos.

O telegrama termina demonstrando tranquilidade quanto ao mercado brasileiro:

O fato de que um candidato abertamente pró-mercado como Alckmin tenha dificuldades em diferenciar sua agenda econômica de um presidente nominalmente de esquerda é ilustrativo de quão pouca incerteza existe sobre os rumos política econômica após a eleição.

Política externa

Um documento confidencial de 27 de outubro de 2006 (dois dias antes do segundo turno) se dedica a comparar como seria a política externa de cada candidato. Geraldo Alckmin atuaria de “maneira mais tradicional e pró-EUA”. Já com a reeleição de Lula, seria possível desenvolver uma cooperação bilateral em algumas áreas como biocombustível e programas para as zonas pobres do nordeste.

O telegrama cita também a opinião de alguns especialista tucanos como Celso Laffer, ex-Ministro de Relações Exteriores, Rubens Barbosa e Sérgio Amaral, ex-embaixadores, e o então senador Arthur Virgilio.

Todos veem a política externa de Lula como um fiasco, uma iniciativa direcionada ideologicamente, estrategicamente instável e incompetentemente gerido que danificou os interesses nacionais e rendeu poucos sucessos.

Para a embaixada, em um novo mandato Lula seguiria e mesma orientação política. “Acreditamos que Lula valoriza sua imagem de influente líder regional moderado, e nós devemos encorajá-lo nessa função”.

Michel Temer: programas sociais de Lula não promovem crescimento

Por Marcus V F Lacerda

O então presidente do PMDB, Michel Temer, encontrou-se no dia 9 de janeiro de 2006 com o cônsul-geral Christopher J McMullen para discutir a posição de seu partido nas eleições nacionais daquele ano.

Durante a conversa, o presidente do PMDB disse que os diversos programas sociais de Lula não promoviam nem crescimento ou desenvolvimento econômicos. Para o atual vice-presidente,  o PT se elegeu com um programa que não foi realizado durante seus primeiros quatro anos no poder, o que configuraria fraude eleitoral. Temer ainda acusa líderes do PT de desviar dinheiro público não em benefício próprio, mas para aumentar o poder do partido, o que teria agravado mais ainda a descrença do brasileiro.

Dúvidas

A primárias do partido estavam marcadas para 9 de março, mas Temer já havia dito à imprensa que tentava adiar a decisão interna para o final do mês. O telegrama lembra que a data limite para que os políticos que ocupassem cargos públicos que fossem competir deixassem seus postos seria 31 de março. As primárias do PMDB contariam com 20 mil votantes entre membros do partido e delegados escolhidos nas convenções estaduais.

Temer estava confiante na unidade do PMDB ao longo da eleição, tanto em favor de seus candidatos quanto em uma aliança com outro partido. O então presidente do partido previa 14 vitórias de governadores do partido, mantendo a presença forte pemedebista entre municípios e estados. O partido elegeu 10 governadores dos seus 16 candidatos nas eleições de 2006.

Na época, o PMDB já governava nove estados e tinha o segundo maior número de deputados na Câmara, perdendo apenas para o PT. A presença do partido nos municípios e estados também era expressiva. Além de estar no poder, o PMDB contava com a desilusão popular tanto com o governo do PT quanto com o da oposição. Uma pesquisa eleitoral que apontava o ex-governador Orestes Quércia liderando a corrida pelo governo paulista é citada na conversa entre Temer e McMullen.

Entre os possíveis nomes do PMDB na corrida presidencial são citados Anthony Garotinho, Germano Rigotto e Nelson Jobim. Apesar dos esforços do pemedebista carioca em fazer alianças, Garotinho encontrava resistências no próprio partido. O nome do governador gaúcho Rigotto não era muito conhecido fora da região Sul e Nelson Jobim ainda era ministro do STF, não podendo assim concorrer em eleições além de não contar com apoio substancial para as primárias.

Quando perguntado sobre a fragmentação do PMDB, Temer explicou que isso se dava tanto por motivos históricos como algo próprio dos partidos brasileiros. A legenda nasceu abrigando diversas frentes contra a ditadura, mas já no processo de democratização já dava origem a outros partidos (incluindo PT e PSDB). O partido é descrito no telegrama como uma organização que abriga diversos caciques que agem com peso político tanto nas esferas regionais quanto locais. Temer apenas aponta que o PMDB não é o único partido dividido entre si.

Sobre o programa político que o PMDB adotaria, Temer disse que o partido visava políticas que favorecessem crescimento econômico. O que não constituiria uma objeção à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Temer disse que o PMDB procuraria tanto um fortalecimento do Mercosul quanto negociar com o bloco da ALCA. O que segundo o diplomata americano iria contra o cenário vigente.

Até aquele momento o PMDB manteria suas opções em aberto. Apesar de não ser mencionada na conversa com Temer, o telegrama menciona a questão da verticalização que estava sendo decidida pelo TSE. O partido queria saber a regra do jogo antes de decidir suas alianças, uma vez que a maioria de seus analistas acreditavam que um candidato próprio não teria um bom desempenho em um cenário onde as coligações feitas em âmbito nacional teriam que ser reproduzidas nos pleitos estaduais.

O enfraquecimento do PT – Temer criticou a visão “estreita” de Lula e seu enfoque em políticas sociais. Segundo o presidente do PMDB, os diversos programas sociais de Lula não promoviam nem crescimento ou desenvolvimento econômicos. Para o atual vice-presidente,  o PT se elegeu com um programa que não foi realizado durante seus primeiros quatro anos no poder, o que configuraria fraude eleitoral. Temer ainda acusa líderes do PT de desviar dinheiro público não em benefício próprio, mas para aumentar o poder do partido, o que teria agravado mais ainda a descrença do brasileiro.

Temer acreditava que a desilusão popular com Lula e o PT abria espaço para o PMDB lançar um candidato próprio. Se as pesquisas não apontassem uma alta nos votos de Lula antes das primárias do PMDB que seriam em março daquele ano, então o partido poderia lançar um candidato próprio.

O PSDB como opção – A fragmentação do partido e a falta de uma opção viável forçavam o partido a coligar-se ao PT ou com o PSDB. No entanto, a escolha de um nome próprio não impediria que esta aliança obrigatória fosse feita apenas no 2º turno das eleições presidenciais. Quando perguntado sobre que lado escolher, Temer lembrou que seu partido apoiou o governo de Fernando Henrique Cardoso. Uma nova fusão entre os dois partidos poderia selar uma aliança permanente entre PMDB e PSDB.

ELEÇÕES 2006: quem estava de que lado

Mais um tema pedido pelos leitores, as eleições de 2006 deram muito pano pra manga na representação americana. Tanto a equipe de Brasília quanto a de São Paulo – chefiada pelo cônsul MacMullen – se esforçaram para acompanhar o desenrolar político.

Uma rápida estimativa das fontes mostra que o consulado em São Paulo esteve muito mais próximo dos tucanos – o cônsul reuniu-se diversas vezes com o coordenador da campanha de Alckmin João Carlos de Souza Meirelles, além de Sérgio Guerra, Tasso Jereissati, Gilberto Kassab, José Serra, Aloysio Nunes e outros. Mesmo achando que Alckmin é o “melhor gerente”, MacMullen permaneceu cético quanto às chances de vitória do tucano.

A partir de hoje, este e diversos blogsa associados começam a escrever histórias com base nestes telegramas, que serão publicados na íntegra no site do WikiLeaks na sexta-feira.

Loja do WikiLeaks ajuda a levantar fundos

O WikiLeaks lançou essa semana uma  loja virtual para ajudar a financiar a organização.

Através dele, apoiadores podem comprar camisetas com estampas em defesa de Assange, mochilas, bonés  e outro acessórios. Além do logo do WikiLeaks e  slogans como “Free Assange”, alguns produtos trazem a frase de George Orwell – Em tempos de mentira universal, dizer a verdade é um ato revolucionário”  – que a organização trazia no seu site até o ano passado.

O site é gerenciado pela empresa alemã Spreadshirt AG.

Não há ainda previsão de entregas no Brasil.

Julian deve ser extraditado para Suécia, diz juiz

O juiz britânico Howard Riddle decidiu nesta quinta-feira pela extradição do fundador do WikiLeaks para a Suécia, onde ele será processado por crimes sexuais.

“Me parece razoável esperar e pedir a presença de Assange na Suécia para questionamento, e se necessário para a retirada de uma mostra de DNA,” disse o juiz.

Riddle também rejeitou os argumentos da defesa de que Julian teria um julgamento parcial na Suécia, já que seu caso será ouvido por três juízes. “Quaisquer comentários feitos ao longo deste caso, tanto favorávis quanto desfavoráveis, não farão dioferenã (para a sentença.”

Julian tem sete dias para recorrer à Corte Suprema.

WikiLeaks e mensalão: boatos, palpites e muito Zé Dirceu

Por Futepoca

Os diplomatas dos Estados no Brasil acompanharam de perto as denúncias de corrupção e as crises políticas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O escândalo do Mensalão (ou “Big Monthly”, na tradução deles) foi relatado passo a passo, com descrições sobre trocas de ministérios, perfis dos expoentes das investigações no Congresso Nacional e visões peculiares sobre a vida política brasileira. José Dirceu é personagem central nesta.

Nuvem de palavras dos 34 telegramas. Dá-lhe Lula e Dirceu. Feito no Wordle.

O terceiro lote de telegramas vazados pelo Wikileaks e divulgados por blogues brasileiros trata de corrupção. Ou melhor, a forma como a embaixada dos Estados Unidos no Brasil assistiu aos escândalos de corrupção do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O caso foi acompanhado de perto pela embaixada, inicialmente, em junho, com relatórios diários e, depois, semanais ou mensais. A crise política dos sucessivos escândalos que acometeram o primeiro mandato de Lula de fato foi profunda.

No conjunto de 34 telegramas, dos quais três já haviam sido publicados, Lula é mencionado 450 vezes, o PT, 248. José Dirceu aparece 229. A demissão do cargo de ministro-chefe da Casa Civil e a cassação de seu mandato, ainda em 2005, foram relatadas em detalhes. O segundo desses episódios, aliás, é tratado como um “divisor de águas”, apesar do reconhecimento de que não havia provas contra ele.

A ampliação e o aprofundamento da crise, com três comissões parlamentares de inquérito (CPIs) simultâneas e a imobilidade do Congresso eram a receita para um fracasso eleitoral de Lula em 2006. Em janeiro daquele ano, conforme as pesquisas mostravam o presidente à frente na corrida eleitoral, essa capacidade foi definida como “totalmente inesperada”, a despeito de a economia mostrar sinais de crescimento robusto.

Logo no início da crise, por conta de mudanças no ministério de Lula, a análise era de que o PMDB ganhava espaço e que o PT poderia ter tornado-se refém da coalizão. É que “o amplo PMDB particularmente nunca está tímido para tomar sua parte do bolo (demand the pork, no original)”.

Tradução

Além do já citado “Big Monthly”, é divertida a tradução do nome de Carlinhos Cachoeira (o “Charlie Waterfall”). O banqueiro do jogo do bicho estava envolvido com o escândalo de Waldomiro Diniz.

Sem gasto eleitoral

Ao final de 2005, em meio à crise, um telegrama especula sobre os efeitos de uma eventual saída de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda. Consta que, pela falta de aprovação do orçamento de 2006 aliada à dificuldade da intricada burocracia brasileira para gastar o dinheiro liberado pelo Tesouro, haveria dificuldade para uma gastança pré-eleitoral. Ou seja, a política de “austeridade” estaria garantida.

Herança da ditadura

Como várias das personagens do cenário político brasileiro advêm da militância contra a Ditadura Militar, esse aspecto sempre aparece nos telegramas. Para descrever Dirceu, aparecem termos como “soldado”, preso político trocado por embaixador e alguém dedicado ao PT e a suas ambições. Tudo bem, aparece também “maquiavélico”, cínico e sem ideologia, definições que guardam nenhum vínculo com o passado.

Para Fernando Gabeira, ex-deputado federal e candidato derrotado às eleições do Rio de Janeiro em 2010, usa-se o termo “sequestrador de embaixador”, em alusão a seu envolvimento no rapto de Charles Elbrick em setembro de 1969.

No caso de Dilma Rousseff, ela é descrita como a “Joana D’Arc da subversão”, como já divulgado anteriormente.

Boatos sem provas

Apesar de não lerem Caras, como bem observou a MariaFrô, os embaixadores gostam de incluir boatos sem provas. Eu juro que não considero neste rol os elogios ao “trabalho investigativo” da revista Veja (isso é opinião deles).

Houve já certo burburinho quando noticiou-se, com mais sensacionalismo do que o devido, que os EUA consideravam que Dilma tinha sido a mentora do assalto ao cofre do Adhemar de Barros e a bancos. O telegrama coloca isso como um boato, parte do folclore político brasileiro.

Outro episódio sem comprovação incluído no relato é o de que o líder da oposição, Jorge Bornhausen (então no PFL, atualmente no DEM), estaria inquieto com os rumos da crise política. Nenhuma menção à alegria de se ver “livre dessa raça por 30 anos”, mas a uma suposta reunião entre o então senador catarinense e diretores do Grupo Globo. O encontro teria ocorrido no Rio de Janeiro, mas tampouco há como ter certeza de que isso ocorreu.

Curioso também que o fato de o presidente do segundo maior partido de oposição ir pedir a benção da maior rede de televisão do país desperta nenhuma linha nos telegramas.

Tudo bem, eles não são analistas políticos, estão só relatando o que leem. Poderiam selecionar melhor essas leituras.

WikiLeaks: Embaixada não acreditava em reeleição de Lula após “mensalão”

Por Bruno de Pierro, da Agência Dinheiro Vivo

Telegramas enviados da baixada norte-americana, em Brasília, para o Departamento de Estado dos EUA, entre 2004 e 2005 foram enviados pela WikiLeaks a Blogs brasileiros que passaram a integrar a rede de divulgação dos arquivos. Os documentos trazem relatos detalhados sobre o caso Waldomiro Diniz e a crise do “mensalão”.

Nos documentos enviados pelo embaixador John Danilovich a seus superiores, há, principalmente, relatos do que foi divulgado pela grande mídia na época do escândalo, histórico dos envolvidos no caso, como o de José Dirceu, e comentários pessoais. Em um deles, Danilovich mostra-se incomodado com o fisiologismo de partidos da base governista.

Em telegrama enviado no dia 31 de março de 2004, de código 04BRASILIA776, o embaixador lança críticas ao PMDB. “Em um encontro no dia 14 de março, o deputado federal de São Paulo Michel Temer, um crítico de Lula, foi reeleito presidente do PMDB com o apoio de Rosinha e Anthony Garotinho. Mesmo com o ressurgimento de Temer, o PMDB é muito ‘fisiologista’ para deixar a coligação, pois isso significaria abrir mão de seu gabinete e outras regalias (apesar de alguns deputados do PMDB divulgarem uma carta em 24 de março ameaçando sair da coalizão se seus conselhos econômicos não forem seguidos). Por sua vez, o partido irá aumentar suas críticas ao governo federal e demandar mais regalias (e influência sobre a política) em troca de opoio”, escreveu.

Em outro momento, retoma a questão para explicar que “fisiologismo” é um termo brasileiro, que pode ser mais ou menos traduzido como “oportunismo crasso”, “aplicado para os políticos sem crenças, que fazem alianças para obter vantagens de curto prazo”. Segundo Danilovich, este seria um dos principais problemas responsáveis pela corrupção no país.

Numa outra mensagem, o embaixador norte-americano, após acompanhar, pela grande imprensa, o desenrolar do caso, conclui que a crise no governo federal passa a percepção de ineficácia, “juntamente com obstinados problemas econômicos do Brasil”, e acrescenta que o escândalo envolvendo José Dirceu estava “contribuindo para a queda do governo”.

O telegrama do dia 14 de junho de 2005, de código 05BRASILIA1602, tratava sobre o depoimento de Roberto Jefferson, que “aconselhava” a Dirceu abandonar o governo. “Todas as classes políticas e financeiras do Brasil estão coladas, hoje, em seus televisores, assistindo o depoimento de [Roberto] Jefferson. Dependendo do grau das provas que ele pode oferecer, e o quanto esses eventos afetam o governo. Lula deverá ter que sacudir seu gabinete e demitir Dirceu, e ver sua reeleição em 2006 comprometida, assim como sua coalizão desmoronar”, dizia.

Em outro telegrama, dessa vez assinado pelo ministro conselheiro da embaixada, Phillip Chicola, colocava-se como quase certa a incapacidade de Lula conquistar o segundo mandato. Na mensagem, enviada no dia 12 de julho de 2005, de código 05BRASILIA1849, Chicola afirma que Lula ainda parece certo de uma segunda eleição em 2006, embora esteja “menos invencível do que foi há alguns meses atrás”.

Sobre o futuro PT, o funcionário da embaixada dos EUA afirmava ser um ponto de interrogação. Segundo ele, a habilidade de Lula para reanimar seus apoiadores, com iniciativas políticas radicais, era dificultada por problemas de sua coalizão, o que, acreditava, impediria a reeleição. Chicola também dedicou alguns telegramas para informar seus superiores no Departamento de Estado americano sobre as mudanças que Lula fez em seu gabinete, descrevendo quem eram os novos ministros, por meio de pequenas biografias sobre cada novo integrante do governo.

Leia todo os documentos, em inglês, aqui.