Agora sou eu que respondo – II

Quantos documentos existem sobre o Brasil no período de 1995 a 2002?

Nenhuma informação deste período existe entre os documentos das embaixadas. No Brasil, há um só documento de 1998, de pouco valor noticioso, no qual a embaixada avalia uma reportagem feita pela Revista Veja a respeito de uma possível participação brasileira no caso Irã-Contra – e desmerece a reportagem. O próximo documento é de 2002 e mostra o primeiro encontro do embaixador americano com o que viria a ser o “núcleo duro” de Lula. Depois, os documentos datam de 2003 até 2010. Não há nada sobre o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Sr Assange, parabens e obrigado pelo trabalho desempenhado pelo WikiLeaks. O trabalho do WikiLeaks se utiliza de órgãos de imprensa selecionados em cada País para divulgação do material a ser divulgado. Houve algum caso, em especial no Brasil, em que essa divulgação foi prejudicada de alguma forma por essas empresas de informação, ou o WikiLeaks não acompanha o desfecho após repassar seu material aos órgão de imprensa selecionados?

Oi, o WikiLeaks acompanha da maneira que pode o desfecho, mas não cabe ao WikiLeaks impor a sua agenda aos veículos. O ideal, segundo já disse Julian, seria trabalhar com veículos de diferentes linhas editoriais. De qualquer maneira, todos os documentos são publicados na íntegra para quem quiser ler, no site do wikileaks.

Existem informações sobre o acidente da Base de Alcântara? No dia 22 de agosto de 2003, o VLS-1 V03 (Veículo Lançador de Satélites) brasileiro explodiu por volta das 13h30 na base de Alcântara, três dias antes do seu lançamento, matando 21 cientistas.

Há bem poucas informações. Elas foram publicadas no site do WikiLeaks no dia 26 de janeiro.  Clique aqui para saber mais

GOSTARIA muito que ASSANGE e sua equipe exibirem todos os relatórios antes da deposição de MANOEL ZELAYA no ano de 2009 .

Oi, os documentos relativos ao Brasil sobre a questão hondurenha foran publicados em 18 de dezembro. Veja a lista aqui. Outros documentos foram publicados por outros veículos – em especial, El País. Eu sugiro este site – cablesearch.org – para facilitar a busca de documentos sobre determinado assunto.

No material tornado público até agora, não existe nenhuma referência da embaixada ou consulado dos EUA no Brasil a dois dos casos de maior repercussão na imprensa brasileira e internacional referentes a duas importantes empresas norte-americanas com atuação no Brasil. Refiro-e à Kroll e ao Citibank. Estas duas empresas ficaram expostas e foram objetos de centenas de reportagens na imprensa no Brasil em dois graves episódios a) A participação da Kroll em um escândalo de espionagem tornado público em 2004 e patrocinado pelo grupo Opportunity e que envolveu empresários, políticos, jornalistas e resultou na apreensão de equipamentos e prisões de funcionários da Kroll no Brasil, com a subsequente abertura de processo judicial ainda em curso e; b) a sociedade do Citibank com a atuação do banqueiro Daniel Dantas no processo de privatização da década de 90 até 2005, inclusive com efusivas manifestações do Citi junto ao governo Brasileiro no sentido de apoiar as práticas do grupo Opportunity na gestão e controle das empresas privatizadas, e depois, a partir de 2005, o rompimento do Citibank com o grupo de Daniel Dantas e o início de uma ação judicial em Nova York milionária do banco norte-americano em mais de US$ 300 milhões por quebra de dever fiduciário, gestão fraudulenta e enriquecimento ilícito. A ação terminou em um acordo celebrado em 2008 que permitiu a fusão das teles Oi e Brasil Telecom, o que contou com forte apoio do governo brasileiro e deu ao Citibank a chance de recuperar parte dos investimentos feitos no Brasil. Daniel Dantas também conseguiu sair com mais de US$ 1 bilhão, graças, entre outras coisas, ao acerto com o Citi. Alguns meses depois, Daniel Dantas foi preso e condenado por suborno em decorrência de investigações da Polícia Federal. Houve ainda o bloqueio de mais de US$ 2 bilhões de recursos do Opportunity no exterior com o apoio do Departamento de Justiça dos EUA e a abertura de outros processos judiciais em curso que envolvem os fundos de investimento que por quase uma década foram sócios e parceiros do Citibank, como o Opportunity Fund. O sr. considera normal que, com tantos episódios graves e públicos envolvendo a maior empresa de investigação norte-americana, a Kroll, e o até então maior banco do mundo, o Citibank, não tenha havido nenhuma referência das autoridades norte-americanas no Brasil a seus superiores nos EUA que tenham sido registradas nos telegramas revelados no Wikileaks?

Bom, a pergunta se é normal não cabe a mim, então respondo tecnicamente que, de fato, não há menções a esses dois escândalos. Vale lembrar que os documentos liberados pelo Cablegate são apenas aqueles classificados até “secretos” – ou seja, documentos extra condienciais ou “top secret” não foram obtidos pelo WikiLeaks e não estão dentre os que serão publicados

O senhor tem dado acesso exclusivo a parte dos documentos do Wikileaks a determinados veículos de imprensa no Brasil, como os jornais O Globo e Folha de S. Paulo. Como o sr. pode assegurar que esses veículos não estejam filtrando determinadas informações em razão de interesses corporativos específicos? Nesses casos, seria possível tornar pública a íntegra dos conteúdos que foram fornecidos a esses veículos parceiros do Wikileaks?

Todos os documentos são publicados na íntegra no site do WikiLeaks. Ao final do projeto, todos os documentos estarão disponibilizados para consulta.

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Uma resposta para “Agora sou eu que respondo – II

  1. Há uma pergunta que sempre se repete:
    porque priorizar a grande imprensa etc etc.

    Levando em consideração a falta de compromisso do *governo* norte americano com os direitos humanos fundamentas nas últimas décadas,
    com as várias tentativas de matar oposicionistas e a criação de
    gulags secretos pelo mundo, se Assange não colocasse a grande imprensa
    como co-responsável pela divulgação dos documentos talvez ele
    estivesse agora preso em Guantanamo ou executado como pedido
    publicamente por várias figuras públicas norte-americanas.
    Como os documentos também são publicados pelo wikileaks vale
    a pena correr o risco do mau uso da grande imprensa para salvar
    a pele e a informação que afinal de contas ficará disponível para
    os historiadores e demais comentaristas para todo o sempre.

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