O futuro do WikiLeaks

O modelo do WikiLeaks veio para ficar, não há dúvida.  Só resta saber como ele  vai ser replicado e o que isso vai significar para o jornalismo internacional.

Pra quem estava se perguntando isso, algumas boas dicas surgiram nos últimos dias. Primeiro, a rede Al Jazeera, financiada pelo governo do Catar, abriu um site parecido com o WikiLeaks, que assegura o anonimato dos informantes que entregam documentos. Pouco depois de ser lançado, o site já era um hit: centenas  de documentos sobre as negociações entre israelenses e palestinos foram obtidos e divulgados pela rede, em parceria com outro jornal tradicional, o Guardian.

O site OpenLeaks, fundado por outro fundador do WikiLeaks, Daniel Domscheit-Berg, também vai na mesma direção. Em vez de publicar os documentos na rede, Daniel promete ser apenas um intermediário entre  whistleblowers e veículos de mídia. O informante que quiser entregar documentos poderá escolher qual veículo que prefere para a divulgação.

Agora, o new York Times divulgou que está considerando abrir também um site como o WikiLeaks, “para não ficar dependente” da organização.

Não é surpreendente, mas é bastante interessante ver que a mídia tradicional, depois de criticar ferrenhamente o WikiLeaks -ao mesmo tempo em que usou bastante seus serviços – agora resolve abraçar o modelo, acrescentando o seu próprio nome e o inquestionável adjetivo “jornalístico”.

O mesmo New York Times cujo editor disse que o WikiLeaks não é uma organização jornalística, aliás.

Há uma diferença, porém: o que faz do WikiLeaks uma ferramenta sedutora é o compromisso em divulgar o máximo possível, desde que preservada a segurança das fontes, e o objetivo – ingênuo para alguns – de fazer justiça com jornalismo.

O WikiLeaks conseguiu uma chancela pública em poucos anos, graças à estratégia montada por Julian Assange, um jovem empreendedor sem papas na língua que ainda sonha em mudar o mundo. O dinheiro vem de doações. E a maior defesa do WikiLekas tem sido o apoio público.

“Justiça é o objetivo. Transparência é o método”, disse ele em entrevista ao jornalista australiano John Pilger.

Resta saber se os veículos tradicionais – que são empresas e têm lá seus compromissos, como dar lucro – vão conseguir o mesmo respaldo que o Wiki conseguiu, utilizando a mesma filtragem de sempre e seguindo no mesmo modelo que hoje, com a internet, dá mostras de estar em decadência.

 

 

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2 Respostas para “O futuro do WikiLeaks

  1. WikiLeaks é indicado para o Prêmio Nobel da Paz
    Por Wojciech Moskwa

    OSLO (Reuters) – O site WikiLeaks foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz de 2011, disse nesta quarta-feira o parlamentar norueguês Snorre Valen, autor da proposta, um dia depois de encerrado o prazo para as candidaturas.

    O Comitê do Nobel norueguês aceita até 1o de fevereiro as indicações para o prêmio considerado por muitos como a principal honraria do mundo, embora os cinco membros do painel tenham até o fim do mês para fazer as suas propostas.

    Valen disse que o WikiLeaks é “uma das contribuições mais importantes para a liberdade de expressão e transparência” no século XXI.

    “Ao divulgar informações sobre corrupção, violações dos direitos humanos e crimes de guerra, o WikiLeaks é um candidato natural ao Prêmio Nobel da Paz”, afirmou Valen.

    Parlamentares, professores de direito ou de ciência política e laureados pelo prêmio em anos anteriores estão entre os que podem fazer indicações. O comitê não quis fazer comentários sobre a indicação do WikiLeaks nem de outras nomeações.

    O governo dos EUA está furioso com o WikiLeaks e com o seu fundador, Julian Assange, pela divulgação de dezenas de milhares de documentos secretos e telegramas diplomáticos que, segundo Washington, prejudicou os interesses norte-americanos no exterior, incluindo os esforços de paz.

    O australiano Assange pode ser extraditado da Grã-Bretanha para a Suécia para ser interrogado num caso de suposto abuso sexual que, segundo ele e seus simpatizantes, é uma campanha destinada a fechar o WikiLeaks, uma organização sem fins lucrativos fundada por grupos de direitos humanos e pela sociedade civil.

    Uma premiação do WikiLeaks provavelmente provocaria críticas ao Comitê do Nobel, que já causou polêmica com suas duas escolhas mais recentes – o ativista chinês pró-democracia Liu Xiaobo e o presidente dos EUA, Barack Obama, alguns meses após ter vencido a eleição.

    O prêmio foi criado pelo sueco Alfred Nobel, o inventor da dinamite, que disse em seu testamento que o laureado deveria ser aquele “que fez o melhor e maior trabalho para a fraternidade entre as nações, para a abolição ou redução dos Exércitos existentes e para a manutenção e promoção dos congressos da paz”.

    Essa é ótima! hehehehe

  2. Até entendo a extensão da onda provocada pelo Wikileaks, que como todo ponto de impacto acabou reverberando em iniciativas similares, mas ao mesmo tempo não consigo deixar de lado um pensamento que o Hitchens publicou na coluna semanal dele na Slate, há algum tempo, levantando o outro gume dessa faca da “transparência”. A ordem que rege a comunidade internacional é uma linha tênue de interesses de múltiplas faces, e por mais bem intencionado e “comprometido” com a transparência que o Assange possa ser, há governos que não o são, por motivos ora óbvios, ora não. Essa filosofia de “Blade Runner”, a que o movimento do Assange deu estopim no jornalismo a nível mundial em muito me preocupa, ainda que as divulgações do Wikileaks tenham gerado um efeito “endorfínico” em um primeiro momento, nada garante que essa “liberdade de informação” acabe por revelar documentos que deveriam ter sido mantidos em sigilo e guerras comecem a estourar em países com tradições políticas um pouco mais voláteis que as nossas. E nesse momento, eu sei quem vai lavar as mãos por trás de um “ideal”.

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