Programa nuclear: entenda as tensões entre Brasil e Argentina

Depois da revelação do documento revelando que a Agentina alertou os EUA sobre o programa nuclear brasileiro, achei que valia a pena dar um pouco de contexto sobre a relação nuclear entre os dois países, com a ajuda de uma grande colega jornalista.

O Brasil assinou um acordo com a Argentina em janeiro deste ano para a elaboração conjunta do projeto de engenharia de um reator nuclear de pesquisa e produção de elementos usados na medicina.

O documento é importante porque manda o sinal político de aumento da colaboração no campo atômico, depois de divergências causadas pela aproximação brasileira com o Irã.

A Argentina mantém duras críticas ao Irã por causa do atentado contra a associação judaica Amia em 1994 que deixou 85 pessoas mortas e 300 feridas. Entre os acusados está o ministro da Defesa iraniano, Ahmad Vahidi.

Brasil e Argentina abriram mão da bomba oficialmente nos anos 80. Em 1991, firmaram um acordo de inspeções nucleares mútuas, por meio da Abacc (Agência Brasileiro-Argentina de Controle e Contabilidade).

Em 2009, pela primeira vez os dois países votaram diferente na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), numa resolução que pedia ao Irã provas de que seu programa não tinha fins militares.

A Argentina votou a favor e o Brasil se absteve, com o argumento de que os países ocidentais não liberaram o acesso a supostos documentos que apontavam intenções bélicas iranianas.

Manter a coordenação bilateral interessa ao Brasil porque os dois países são os únicos com atividade nuclear significativa que não assinaram o Protocolo Adicional do TNP (Tratado de Não Proliferação), que permite inspeções mais abrangentes da AIEA.

A presidente Cristina Kirchner já decidiu não aderir ao protocolo. Mas ela cobra novas garantias de que o Brasil não preserva a opção de ter a bomba no futuro.

Os americanos costumam utilizar as preocupações de bastidores para pressionar a Argentina a assinar o protocolo adicional. Os EUA exploram o temor brasileiro de que a Argentina o assine sozinho. “Se fosse possível encontrar um modo de a Argentina assinar um Protocolo Adicional, isso colocaria uma enorme pressão sobre o Brasil para segui-la”, sugere a embaixada, em despacho enviado a Washington em 2009.

Em 2010, o governo foi informado de pressões americanas sobre a Argentina.

O vizinho demonstrou intenção de assinar o protocolo, mas teme que fazê-lo sem o Brasil ameace o acordo bilateral de inspeções mútuas, por meio da Abacc (Agência Brasileiro-Argentina de Controle e Contabilidade).

A adesão, individual ou bilateral, implicaria a revisão dos termos desse acordo, referendado pela AIEA.

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