Na disputa presidencial entre Alckmin e Lula, os EUA estavam tranquilos

por Juliana Sada, O Escrevinhador

Nesta semana, o Wikileaks revelará uma série de documentos da embaixada estadunidense do Brasil sobre as eleições presidenciais de 2006.

Ao longo do ano, os diplomatas americanos estiveram atentos à movimentação dos dois principais candidatos: Geraldo Alckmin, do PSDB, e Luíz Inácio Lula da Silva, do PT. Os diplomatas fizeram diversas consultas à líderes políticos sobre o panorama eleitoral, entre eles, os senadores Sérgio Guerra (PSDB/CE), Arthur Vigílio (PSDB/AM) e Antonio Carlos Magalhães (PFL/BA), o então governador Jarbas Vasconcellos (PMDB/PE) e Hélio Costa (PMDB/MG) – então Ministro das Comunicações. Também foram consultados membros dos institutos de pesquisa, assim como especialistas em economia e política externa, ligados ao PSDB.

O Escrevinhador está entre os blogs que têm acesso exclusivo ao conteúdo e durante esta semana publicaremos reportagens baseadas nestes documentos.

Macroeconomia X microeconomia

Um telegrama confidencial enviado em março de 2006 da embaixada dos EUA em Brasília analisa as tendências econômicas dos dois principais candidatos. Já no início se afirma que as eleições de 2006 trazem menos incerteza sobre o futuro econômico do que as eleições de 2002, afirmando que Lula “estabeleceu um recorde surpreendentemente forte de gestão macroeconômica ortodoxa”, durante o primeiro mandato.

Após um breve comentário sobre a gestão do tucano em São Paulo, o documento afirma que do ponto de vista da política macroeconomia ambos candidatos seriam de continuidade, apesar de não terem apresentado uma plataforma eleitoral. Charles Wortman, presidente do banco JP Morgan, afirmou à embaixada que “a adoção das políticas macroeconômicas não é mais específico de um candidato ou partido, mas se tornou institucionalizada”.

A principal diferença entre os dois candidatos estaria na política microeconômica. Em conversa com oficiais da embaixada, o economista Raul Velloso, ligado ao PSDB, avaliou que Alckmin estaria disposto a investir no projeto da Alca, Acordo de Livre Comércio das América. Esta é apontada, pelo funcionário do consulado, como a principal diferença entre os dois candidatos que atinge os interesses dos Estados Unidos.

O telegrama termina demonstrando tranquilidade quanto ao mercado brasileiro:

O fato de que um candidato abertamente pró-mercado como Alckmin tenha dificuldades em diferenciar sua agenda econômica de um presidente nominalmente de esquerda é ilustrativo de quão pouca incerteza existe sobre os rumos política econômica após a eleição.

Política externa

Um documento confidencial de 27 de outubro de 2006 (dois dias antes do segundo turno) se dedica a comparar como seria a política externa de cada candidato. Geraldo Alckmin atuaria de “maneira mais tradicional e pró-EUA”. Já com a reeleição de Lula, seria possível desenvolver uma cooperação bilateral em algumas áreas como biocombustível e programas para as zonas pobres do nordeste.

O telegrama cita também a opinião de alguns especialista tucanos como Celso Laffer, ex-Ministro de Relações Exteriores, Rubens Barbosa e Sérgio Amaral, ex-embaixadores, e o então senador Arthur Virgilio.

Todos veem a política externa de Lula como um fiasco, uma iniciativa direcionada ideologicamente, estrategicamente instável e incompetentemente gerido que danificou os interesses nacionais e rendeu poucos sucessos.

Para a embaixada, em um novo mandato Lula seguiria e mesma orientação política. “Acreditamos que Lula valoriza sua imagem de influente líder regional moderado, e nós devemos encorajá-lo nessa função”.

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