Greenhalgh, em 2006: Lula é refém da “repúbica do RS”

Por Marcus V F Lacerda

No final de abril de 2006, o ex-deputado Luis Eduardo Greenhalgh conversou com representantes do consulado americano em São Paulo. Meses após o escândalo do mensalão Greenhalgh afirmou que Lula estava isolado no poder.

Para o petista, o Lula tornou-se refém da “República do Rio Grande do Sul”, em referência à na época ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que começou sua carreira política no estado, e ao ex-ministro da Justiça Tarso Genro.

 

Em todo o Poder Executivo, Greenhalgh listou apenas dois amigos próximos de Lula: Luiz Dulci (então secretário-geral da Presidência) e Gilbero Carvalho. Lula vinha observando seus aliados mais próximos afastarem-se tanto por escândalos quanto por mudanças de cargos no governo, confidenciou Greenhalgh.

Caixa-dois

Quando perguntando sobre como se dava o financiamento das campanhas, Greenhalgh respondeu que em sua última disputa para deputado federal ele havia formalmente declarado despesas na ordem de 600 mil reais.

O político explicou aos diplomatas americanos que muitos empresários preferiam não aparecer na lista de doadores, então eles dão suporte aos candidatos na forma de serviços como material gráfico ou transporte.

Sendo assim, calculou o petista, seus gastos reais de campanha ficaram em cerca de 720 mil reais. “Quando declarei 600 mil, teve muita gente que achou que era muito. Mas eu demorei um ou dois dias para contabilizar”, contou Greenhalgh que confirmou que era verdade que muitos (incluindo Lula e outros membros do PT) diziam que “todo mundo faz Caixa Dois”.

“Alguns deputados federais de São Paulo declaram, na cara de pau, gasto total de campanha de 150 mil. Isso não dá para ser eleito vereador em Itagui”,

Crítica ao MST

O escritório de Greenhalgh representava na época líderes do MST como João Pedro Stedile e José Rainha. O advogado é relacionado com o MST há muito tempo e tinha uma política de não criticá-lo publicamente.

Esta postura foi mudada desde o ataque do MST à Aracruz em 2006 que causou um dano orçado em cerca de 400 mil dólares. “Fiz uma declaração formal de me colocando contra este tipo de desrespeito e que aquilo era legalmente inaceitável”, sentenciou Greenhalgh.

Na conversa com os americanos, ele reconhece que seu partido tem grande influência entre os sem-terra, mas que “em certos lugares e circunstâncias” a então senadora pelo PSOL, Heloísa Helena, controlava o movimento. O advogado de João Pedro Stedile e José Rainha sugere que as ações violentas e confrontos daquela época eram muito mais próprios do PSOL que do PT.

Celso Daniel e a “pá de cal”

 

A conversa não parou por aí. A morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002, foi um crime comum e sem motivações políticas. Foi o que garantiu o então deputado federal petista, Luiz Eduardo Greenhalgh em conversa com representantes do consulado americano durante um café da manhã em sua casa em São Paulo. “Sim, haviam alegações de corrupção na prefeitura de Santo André envolvendo o ‘Sombra’”, confirmou o político referindo-se a Sérgio Gomes da Silva, amigo e ex-guarda-costas de Celso Daniel, com quem o prefeito jantava momentos antes de ser sequestrado. Sombra deve ser julgado em 2012. Ainda existem outros cinco acusados esperando julgamento e um já julgado e preso no final de 2010.

“Celso Daniel não foi torturado. Eu fui um dos primeiros a ver seu corpo e eu experiência nesse tipo de coisa”, garantiu Greenhalgh em despeito a notícias da época que relatavam o contrário. Além de político é advogado na área de Direitos Humanos tendo sido muito atuante junto na defesa de presos políticos durante a ditadura. A tese de Greenhalgh na conversa com representantes do consulado americano em São Paulo em final de abril de 2006 era de que o prefeito havia sido executado por marginais depois que destes terem notado de que a vítima era uma pessoa importante. “Parte do grupo devia estar com medo de ser identificada e acharam melhor matá-lo. E provavelmente foi assim”, conjecturou Greenhalgh.

 

Era inevitável que a imprensa, de acordo com Greenhalgh, uma ligação entre o crime e os escândalos envolvendo José Dirceu e a movimentação suspeita de dinheiro ao longo da campanha presidencial de 2002 da qual Celso Daniel era coordenador. Os próprios irmãos do prefeito, com quem o petista encontrou várias vezes, tornaram-se partidários da idéia de crime político, apesar de terem aceitado primeiramente a versão da polícia de que se tratava de um crime comum.

É comentado no final do telegrama que Greenhalgh foi acusado tanto pela oposição quanto por alguns investigadores da polícia paulista de tentar colocar uma pá-de-cal no caso.

Os irmãos do prefeito, Juan Francisco e Bruno, foram ouvidos pela CPI dos Bingos numa acareação da qual participou também o então secretário pessoal do presidente, Gilberto Carvalho. Durante o encontro com os diplomatas americanos, tanto Greenhalgh quanto sua sócia em seu escritório de advocacia, Irmã Michael Mary Nolan, que também estava presente confirmaram que as alegações contra Carvalho eram falsas e que ele era uma pessoa séria e livre de fazer algum mal do gênero.

O impacto da cobertura da imprensa sobre o secretário pessoal de Lula deixavam em dúvida se o amigo pessoal do ex-presidente participaria de um eventual segundo mandato.

– Em todo o Poder Executivo, Greenhalgh
listou apenas dois amigos próximos de Lula: Luiz Dulci (então secretário-geral da
Presidência) e Gilbero Carvalho. Lula vinha observando seus aliados mais próximos
afastarem-se tanto por escândalos quanto por mudanças de cargos no governo,
confidenciou Greenhalgh.

Para o petista, o Lula tornou-se refém da “República do Rio Grande do Sul”, em
referência à na época ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, e o então presidente
interino do PT e já ex-ministro da Educação, Tarso Genro.

Caixa-dois: ético ou anti-ético? – Quando perguntando sobre como se dava o
financiamento das campanhas, Greenhalgh respondeu que em sua última disputa para
deputado federal ele havia formalmente declarado despesas na ordem de 600 mil reais.
O político explicou aos diplomatas americanos que muitos empresários preferiam
na aparecer na lista de doadores, então eles dão suporte aos candidatos na forma de
serviços como material gráfico ou transporte.

Sendo assim, calculou o petista, seus gastos reais de campanha ficaram em cerca de 720
mil reais. “Quando declarei 600 mil, teve muita gente que achou que era muito. Mas eu
demorei um ou dois dias para contabilizar”, contou Greenhalgh que confirmou que era
verdade que muitos (incluindo Lula e outros membros do PT) diziam que “todo mundo
faz Caixa Dois”. “Alguns deputados federais de São Paulo declaram, na cara de pau,
gasto total de campanha de 150 mil. Isso não dá para ser eleito vereador em Itagui”,

O MST entre PT e PSOL – O escritório de Greenhalgh representava na época líderes
do MST como João Pedro Stedile e José Rainha. O advogado é relacionado com o MST
há muito tempo e tinha uma política de não criticá-lo publicamente. Esta postura foi
mudada desde o ataque do MST à Aracruz em 2006 que causou um dano orçado em
cerca de 400 mil dólares. “Fiz uma declaração formal de me colocando contra este tipo
de desrespeito e que aquilo era legalmente inaceitável”, sentenciou Greenhalgh.

Na conversa com os americanos, ele reconhece que seu partido tem grande influência
entre os sem-terra, mas que “em certos lugares e circunstâncias” a então senadora pelo
PSOL, Heloísa Helena, controlava o movimento. O advogado de João Pedro Stedile e
José Rainha sugere que as ações violentas e confrontos daquela época eram muito mais
próprios do PSOL que do PT.

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Uma resposta para “Greenhalgh, em 2006: Lula é refém da “repúbica do RS”

  1. Que pena ver esse homem degringolar assim. 600 mil numa campanha (720) é dinheiro para montar uma empresa e gerar muitos mepregos. Por isso acredito no financimaento publico de campanha. Mas é uma pena, um homem como Luis Eduardo ter se metido com Dantas etc. Uma pena.

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