DEM minimiza mensalão de Arruda a americanos

A mensagem em que os americanos descrevem as articulações dos partidos nanicos em torno do nome de Ciro Gomes já fazia menção ao escândalo de Arruda. Naquela época, o DEM já se preparava para expulsar o seu único governador da legenda. Um membro não-identificado do partido resumiu-se a dizer que o incidente ainda era “muito desastroso para se falar sobre agora”.

O nome de José Roberto Arruda era o mais cotado dentro do DEM para ser vice na chapa de Serra. Sua plataforma política no DF pautava-se pela eficácia, a ponto de Arruda proibir o uso do gerundismo no atendimento dos órgãos do GDF. Onyx Larenzoni (DEM-RS) e outros co-partidários disseram a diplomatas americanos que acreditavam que Arruda ficaria no Palácio do Buriti até as eleições de outubro mesmo com todos os processos contra ele e dos esforços em se arrolar um impeachment do governador. A mensagem observa que isto era dito “sem nenhum grau de raiva ou frustração”.

De acordo ainda com o telegrama, a grande preocupação sobre o mensalão do DEM no DF era que três das mesmas empreiteiras envolvidas nas propinas a deputados distritais tinham forte presença em estados governados pela oposição como Minas Gerais e São Paulo. O então senador Gim Argello (PTB-DF) disse aos americanos que duvidava que estas empresas participassem de práticas deste tipo nos outros estados. Notado na mensagem como um “investidor do ramo imobiliário com seus próprios interesses”, Argello descreveu o escândalo de Arruda como algo endêmico ao DF. “A corrupção de Arruda era conhecida entre os empreiteiros da região e isso criou um ambiente onde propinas eram necessárias”, explicou Argello aos americanos.

Em face dos vídeos “parecidos com You Tube” de políticos ligados a Arruda colocando maços de dinheiro em maletas e meias, os americanos avaliaram que a vaga de um vice do DEM na chapa da oposição como nas últimas eleições presidenciais estaria perdida. Em conversa com um oficial político da embaixada, ACM Neto (DEM-BA) confessou que seu partido planejava concorrer com uma plataforma de governo eficaz que “não tinha uma mensagem identificável”.

A possibilidade de uma chapa da oposição sem um vice do DEM era bem vista pelo deputado Bruno Araújo (PSDB-PE). No entanto, Araújo estava preocupado que outros escândalos envolvendo o PSDB viessem à tona, forçando o partido a esmerar-se pela sua imagem de “partido do bom governo”. De acordo com ele, o caso do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) envolvido em um esquema de mensalão em sua campanha para governador de 1998 era “tudo fumaça, nada de fogo”.

Ronaldo Caiado (DEM-GO), então líder do partido na Câmara, já admitia que o escândalo de Arruda atingiria o partido dono das terceiras maiores bancadas na Câmara e no Senado nas eleições. Caiado colocou que o DEM se distinguiria dos demais partidos expulsando Arruda. “Ao contrário do PT, que não fez nada com os envolvidos no Mensalão”, teria dito Caiado. “Licitações estaduais e federais geralmente lançam fundos para contratar empresas mensalmente, com controles fracos para detalhamento e justificativa de itens e gastos, fazendo com que o mensalão seja facilmente o esquema bipartidário favorito de corrupção no Brasil”, descrevem os americanos.

 

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