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Vazamento: Operação Satiagraha

O site Wikileaks Brasil, organizado por um grupo anônimo sem qualquer ligação com o WikiLeaks de Julian Assange, publicou nesta terça-feira a suposta íntegra do inquérito da Polícia Federal sobre a Operação Satiagraha.

A operação deflagrada em julho de 2008 prendeu Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, e o investidor Naji Nahas.

Os documentos não chegaram a ser enviados ou analisados pelo WikiLeaks oficial.

Vote no Troféu Mulher Imprensa

Estou concorrendo ao Prêmio Troféu Mulher Imprensa, com votação aberta pela internet.

Meu maior orgulho é ser a única repórter independente da votação – e da história do prêmio.

Por isso, peço que quem puder vote aqui neste link.

A votação vai até o dia 15 de fevereiro.

Artigo: Desistam do processo contra Assange

O site Foreign Policy, que trata de relações internacionais, publicou ontem um excelente artigo de Tim Wu, professor de advocacia na Universidade de Columbia e defensor da liberdade de expressão.

“É hora dos Estados Unidos desistirem da ação contra o WikiLeaks. Pressionar domesticamente pelo processo contra um publisher da Internet e ao mesmo tempo exigir internet livre no Egito e no mundo é uma posição crescentemente frágil. O caso WikiLeaks ameaça a reputação dos Estados Unidos como defensores da liberdade de expressão e da abertura da internet globalmente e força a  administração Obama a tomar posições constitucionais mais adequadas à administração Nixon”.

Leia a íntegra do documento aqui.

Ajude Michael Moore a fazer um vídeo pró-WikiLeaks

Michael Moore está organizando um vídeo destinado a Barack Obama e ao governo americano feito por pessoas de todo o mundo. O resultado será exibido antes do julgamento de Julian Assange, que acontece na próxima segunda-feira, dia 7 de fevereiro.

O texto de uma carta a Obama, que está no site de Moore, será lido em partes por voluntários do mundo todo, de acordo com o nome das pessoas. O vídeo será editado de maneira a mostrar o enorme apoio da opinião pública ao WikiLeaks.

“O resultado de qualquer perseguição do WikiLeaks ou de Julian Assange será a restrição da informação verdadeira que os americanos recebem sobre a política externa de seus governos. Mas os EUA não podem promover a demcracia no etxerior limitando-a em casa”, diz o texto.

É mais uma experiência colaboracional que tem muito a ver com o propõsito do WikiLeaks e a revolução que a internet pode, mas não necessariamente vai trazer. É preciso brigar por ela. O prazo para colaborar com o projeto vai só até hoje. Vai lá no site pra conferir.

Como nascem as notícias

Julian Assange dar uma entrevista para internautas brasileiros é notícia. Seria notícia mesmo se a entrevista não fosse interessante, rica e divertida – afinal, muitas entrevistas suas a dezenas de veículos de imprensa do mundo têm sido reproduzidas pelos sites noticiosos brasileiros.

Mas a entrevista em questão foi interessante, revelou coisas sobre o entrevistado que ajudam a compor na cabeça das pessoas a imagem de quem é o fundador do WikiLeaks, afinal. E fala sobre o Brasil. Desde o lançamento dos documentos diplomáticos dos EUA, ele havia dado uma entrevista – uma apenas – a um grande jornal brasileiro. Nada mais.

A coisa ia ficar por aí. Mas Julian topou a ideia de falar direto com o público brasileiro, embora sob a minha mediação. A ideia lhe pareceu interessante. E, de fato, as perguntas diretas do público têm um gostinho mais despachado, mais direto. Ninguém, por exemplo, havia lhe perguntado por que o WikiLeaks trabalha com a grande imprensa. Para os próprios veículos estabelecidos, a resposta é óbvia. Mas nem sempre o é para o público em geral.

A entrevista de Assange foi publicada, simultaneamente, às 10h da manhã, por vinte e três blogs que toparam fazer parte da iniciativa, uma espécie de “blogaço”. A repercussão foi bastante boa, no twitter, no facebook e em diversos blogs. Já os sites de notícia online passaram boa parte do dia ignorando o assunto.

Havia, é claro, certa desconfiança com relação à entrevista – até mesmo dos internautas. Afinal, que critérios seriam usados? Quem garantia que não se tratava de um golpe de marketing do WikiLeaks? E quem é essa tal Natalia Viana para decidir que perguntas seriam feitas, e que a entrevista seria mesmo real? Recebi diversos comentários apontando para isso.

Bom, eu sou eu, jornalista independente que preza o interesse público acima de tudo. Isso vocês já sabem. Ainda está pouco claro na cabeça das pessoas que eu não sou do WikiLeaks, que não faço parte da organização e que mantenho minha posição independente embora esteja colaborando com eles na divulgação dos documentos do Cablegate.

A minha autoridade, nesse caso, é a mesma de um jornalista de uma empresa que é escalado para fazer uma entrevista. E a tarefa, selecionar os melhores tópicos, organizar a entrevista de maneira que fique interessante e “redonda”, editar, traduzir. No meu caso, contei com a ajuda de centenas de leitores deste e de outros blogs.

Qual a diferença? A diferença é que não tem veículo por trás.  Nem por isso a entrevista, enquanto produto jornalístico, deixa de ser notícia.

Entretanto, assim ela foi considerada pelos veículos online. Não vejo nisso uma oposição ou má vontade; vejo uma excelente oportunidade de entender como funciona o processo de elaboração das notícias. Como elas nascem.

Ao longo do dia, o blog “Toda Mídia”, do Nelson de Sá, deu. Um jornal de Osasco deu. A Rede Brasil Atual deu. Veículos pequenos, que podem ser considerados “alternativos” – que não é demérito nenhum. A Carta Capital, é claro, deu.

No começo da noite, a agência espanhola “EFE” decidiu dar uma materinha. Citou “uma entrevista realizada por internautas e divulgada nesta quarta-feira pela revista ‘Carta Capital’”. E manchetou: “Assange diz que aceitaria asilo político no Brasil”.

Não demorou muito, e os sites começaram a reproduzir o texto. Com informações da EFE – escritas por um jornalista como eu, mas que trabalha dentro de uma redação – e o logo da EFE embaixo, endossando. O UOL Economia noticiou às 19h44, o Yahoo Notícias também; o Terra e a Época Negócios também. Virou notícia, a entrevista, somente à noite.

A verdade é que ainda predomina, mesmo nos veículos online, o padrão de buscar respaldo em outros veículos e em fontes oficiais. É compreensível, mas não é mais condizente com a maneira como as coisas acontecem. Há uma pluralidade de vozes e fontes que com a internet ganham visibilidade e respaldo público – como aliás, é o próprio caso do WikiLeaks. Não tem volta.

É um enorme desafio separar o joio do trigo. O que não quer dizer que uma boa apuração, critério jornalístico por excelência, não possa resolver esse conflito.

Mas no caso da entrevista de Assange, em vez de buscar apurar se era verdadeira ou não, os veículos online preferiram esperar para ver se alguém dava primeiro. Coube a uma agência espanhola, que acabou ‘furando’ os nossos veículos nacionais. Aliás, ‘furando’ não. No jargão jornalístico, uma informação falsa é chamada de “barriga”. E a matéria da EFE acabou levando todos os sites digitais para uma grande barrigada.

Julian Assange jamais disse que aceitaria asilo político no Brasil. Questionado, disse: “Eu ficaria, é claro, lisonjeado se o Brasil oferecesse ao meu pessoal e a mim asilo político. Nós temos grande apoio do público brasileiro”.

Típica resposta de Julian Assange.

Prêmio Troféu Mulher Imprensa

Eu sou uma das finalistas do Troféu Mulher Imprensa 2011, realizado pela Revista Imprensa. Estou concorrendo na categoria online.

Quem quiser votar em mim, basta clicar aqui.

Já tenho um voto declarado: Julian Assange acaba de ingressar nas fileiras como cabo eleitoral. Veja o twit aqui.

Missão 2011: prender todos os informantes do mundo

O banqueiro suiço Rudolf Elmer, que entregou nesta semana um CD com dados de sobre as contas de cerca de 2 mil clientes do banco suíço Julius Baer nas Ilhas Cayman ao WikiLeaks, foi preso na noite de ontem em Zurique.

Elmer tinha acabado de ser julgado pela justiça suíça por ter quebrado o sigilo bancário ao entregar para o WikiLeaks dados anteriores a este lote.

Ele já havia entregado documentos para o WikiLeaks, em 2008.  A Corte Regional de Zurique, multou o ex-banqueiro Rudolf Elmer em mais de 6 mil francos suíços (R$ 10,4 mil), mas não o sentenciou à prisão.

Agora, a polícia e o Ministério Público de  Zurique dizem que o prenderam para investigar se ele quebrou alguma lei nacional sobre os bancos ao entregar o último CD a Assange. Elmer afirma que quer tornar os dados públicos para expôr casos de evasão fiscal.

Além dele, outro possível informante, ou “whistleblower”, que teria procurado o WikiLeaks está preso. O analista de inteligência Bradley Manning, acusado de ter vazado os dados dos telegramas das embaixadas, está preso nos EUA desde junho do ano passado.

A informação é do Guardian.